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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Por que Gandaiar?

Um dia, um filósofo afirmou penso, logo existo" ou algo assim. Muitas pessoas vivem sem pensar que existem, ou pensando em como existem, ou pensando que vivem, quando só existem. Muitas se indagam coisas. Existo, logo penso em como e por que existo. Esse, meus amigos, é o dilema do Gandaiá.

Explico melhor, com outra ajuda filosófica: dizem que as pessoas não desejam aquilo que fazem, mas os objetivos que as levam a fazer aquilo que fazem.  Há anos nas ruas, asilos, hospitais, escolas, creches, boates e canis, o grupo fez mais coisas do que tem a cara de pau de assumir capacidade de recordar. Com tanta coisa diferente feita, e tanta gente diferente passando uma pela vida da outra, fica difícil de entender o que leva cada um a fazer o que faz no grupo.

Daí que, para decidir o que fazer para os próximos cinco anos, primeiro foi necessário meditar sobre as razões de se fazer o que quer que seja feito. Em suma: por que haver o grupo? O que faz do grupo algo importante para os membros?

Uma coisa fundamental no grupo é o afeto. Mas qual seria a razão de acordar domingo de manhã para realizar exercícios? Por que pintar o rosto e se vestir e ensaiar? Por que não fazer qualquer outra coisa? Por que palhaçar?

Porque não é apenas a amizade das pessoas do grupo.

Gandaiar é celebrar. É fazer farra. Não é apenas mostrar alegria, mas compartilhá-la. Fazer do encontro com o outro riso, e do riso um encontro com o outro. E o que faz com que tudo isso exista e floresça é a arte. Não apenas a arte palhaça, mas o espaço que essa arte no grupo abre para todas as outras formas de arte.

No encontro dos membros, cada um se multiplica, se empodera. Cada pessoa torna-se melhor para si e deseja tornar-se melhor para o mundo. Porque a experiência artística transforma as nossas vidas, é importante dar cada vez mais vida a essa experiência. Se isso nos faz bem, é importante multiplicar.

A experiência artística é aquela sede de dia corrido, da qual só damos conta ao beber um pouco d'água. A maioria das pessoas passa tanto tempo ocupada em sobreviver à rotina massacrante e tediosa que não sacia essa sede. Engana-se, no entanto, quem pensa que esse desejo não existe. Essa sede é sentida, e busca-se em vão preenchê-la com outras coisas, enquanto segue-se com a vida seca.

Não se deseja o que não se conhece, disse um romano. Por isso, expressar a arte é um posicionamento político. Além de ser um meio em si de mostrar ao coletivo nossa opinião, nossos sonhos, exercendo nossa criatividade, a própria arte desperta a sensibilidade individual. Faz lembrar à pessoa que ela também possui opinião e sonhos, e ideias criativas que tem ânsia de experimentar. Dá sede. A experiência artística libertadora só pode ocorrer num encontro em que artistas e público se misturem, bebam uns com os outros uns dos outros. Se descubram coletivos em suas individualidades e sintam que estão ali porque decidiram estar, independentemente do que os levou até ali. E essa é, no fundo, a escolha que desejamos ter o tempo todo: fazer algo porque queremos. Porque nos faz bem.

Experimentar a arte é, dessa forma, um meio de dirigir e protagonizar a própria vida. E celebrar isso com outras pessoas é uma forma de afirmar: só se pode viver plenamente quando esse bem-estar é coletivo. Quando todos são protagonistas.

É esse desejo que guia tanto do ímpeto do grupo. E, assim, sondamos e encontramos nosso propósito: sentir, refletir, celebrar e multiplicar a experiência libertadora da arte como coletivo atuante na comunidade! 

Por Elton Rigotto Genari


terça-feira, 18 de junho de 2013

Os 10 mandamentos do PALHAÇO

Por: Payaso Chacovachi


LOS DIEZ MANDAMIENTOS DEL PAYASO 

ojala les haga provecho y se trasforme en un erupto que se escuche en muchas plazas de 

este mundo

1-Se la exajeracion y no la caricatura de tu persona 

2-Nunca te enojaras con el publico ( no conviene )

3-Cuando estas en pista seras el centro del universo

4-nunca dudaras de tu material en escena

5-Ante el fracaso usaras la frase me chupa un huevo (y trataras de mejorar)

6-Nunca usaras material de otro payaso que trabaje en el mismo lugar/ plaza / ciudad

7-Estaras convecido de que si no es hoy será la próxima vez , pero encontraras el 

sentimiento que estas buscando

8-No rechazaras ningún desafio

9-Le estaras agradecido toda la vida a los que te han inspirado

Aunque no te caigan bien

10-Seras politicamente incorrecto


Tradução? Vá pro Google! Ou Bing. 

domingo, 13 de janeiro de 2013

O fim inevitável versus o amor infindável

Existe uma tristeza inexorável no ar de um lar de velhos. Aliás, são poucos os velhinhos que eu conheço particularmente que são felizes, fora e dentro de um lar de velhos. A velhice traz consigo uma solidão inerente, incoerente, e, paradoxalmente, absolutamente plausível. Afinal são anos e anos de luta para, no fim, enfrentar o fim. Apenas o fim. Sozinho.
E como curar essa tristeza, essa dor fatídica, o que podemos fazer pra ajudar sendo nós jovens antenados, adultos ainda energéticos e com todo vigor físico e mental?
Dá aí pra bolar um discurso mirabolante sobre humanização dos espaços que atendem idosos, melhoria dos investimentos públicos no setor, delegar a culpa para o governo, arremessar palhaços para dentro de asilos, longas e longas milongas.
Mas se existe algo singelo que aprendi com meu avô e minha avó que faleceram neste último ano, é que só o amor pode ajudar alguém a enfrentar o fim. Afinal, o fim não se enfrenta, se aceita. E é muito mais fácil aceitar o fim quando se tem certeza de que não se está só.
 Proximidade humana entre seres humanos, encurtamento da distância cibernética, amor. O piegas e mimimizado amor.
É difícil visitar um idoso. Superficialmente, toma tempo, e tempo é dinheiro, tempo é tempo, e ninguém mais perde tempo hoje em dia. Tudo é rápido. E mesmo que abertamente não se diga isso devido a uma falsa e mórbida responsabilidade moral, não se visitam os velhinhos porque é uma grande perda de tempo. Eu tenho uma tia estupendorosamente bondosa e sábia, que fica sentada na janela do quarto dela esperando as pessoas pararem e falarem com ela. E pergunte-me se alguém pára? E pergunte-me se eu paro? Ninguém para.
Numa análise mais profunda dói visitar um idoso. Adentrar nos olhos de um idoso e ver sonhos que possivelmente não mais se concretizarão, dores escondidas, escolhas erradas. Isso nos faz pensar sobre nossas próprias escolhas. E nossas escolhas tem nos isolado, o que nos deixa com uma dúvida pairando: estarei eu só quando chegar a hora do meu ato final?
O que me faz chegar a conclusão desta pequena dissertação, que não é mais um puxão de orelha ridículo sensacionalista, e sim uma constatação simples e universal. Sem amor os idosos serão tão tristes e melancólicos quanto nós sentados em nossas poltronas confortáveis. Gigantescos livros esperando para ser abertos, todas as verdades do universo, e não temos tempo para ler estes livros, e temos medo de ler estes livros. Visite um idoso ainda hoje, e ganhe absolutamente de graça a retribuição de um sorriso sincero.



Postado por Jack Banana, que estava de férias trabalhando na empresa de Produtos Invisíveis S/A.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A festa dos 4 anos!


Ontem foi, com certeza, um dia inesquecível para todos nós do Gandaiá. Completamos mais um ano de vida (agora já são quatro) e comemoramos junto de pessoas queridas, sejam essas conhecidas ou não. Isso porque fomos pra rua, pros lugares públicos, pros lugares de encontro, pros lugares em que o sentido da vida é realizado através da relação. É essa a palavra, relação, que nos motiva a continuar por mais anos e anos com nossa pesquisa artística que resulta nos trabalhos de visitação em asilos e orfanatos; de apresentação de teatro em lugares públicos como praças e instituições; e de aprendizagem com projetos educativos, vivências e encontros abertos. É na relação com o mundo, com a cidade, com o lugar que o Gandaiá se fortalece e se torna significativo, repleto de sentido para quem dá e para quem recebe, para quem faz e para quem ajuda a fazer, enfim, para quem se relaciona. É com essa idéia e com essa força que o Gandaiá completa 4 anos, mais consciente e realizador do que nunca, ativo e motivado como sempre.

Falar desses 4 anos daria um livro (não é uma má ideia hein?), então vamos nos ater aqui aos acontecimentos da incrível comemoração que aconteceu ontem, dia 30 de setembro de 2012. De manhã, na praça Dom Pedro, fizemos um ensaio aberto da nova montagem de teatro de rua carinhosamente intitulada "Como Panquecas", realizada com o apoio do Projeto Ademar Guerra e a orientação artística de Alexandre Dal Farra. Apesar da disputa sonora acirrada com os carros de som vendendo ilusões em forma de números e do pequeno desentendimento com o fiscal que nos confundiu com 'vendedores de votos', conseguimos atrair muitas pessoas (algumas delas com fortes laços sanguíneos, é verdade) para ver a saga dos funcionários 1, 2 e 3 nos descaminhos da vida na sociedade do trabalho, sempre pressionados pelo supervisador com sede de pequeno poder e pelo chefe com mania de alta produtividade e muito lucro. A apresentação agitou a praça e promoveu muitos risos, gargalhadas e reflexões, juntando em uma semi-circulo pessoas de todas as idades, tipos e jeitos.

Depois desse up, aproveitando a energia maravilhosa do teatro de rua, fomos a tarde para o Casarão Pau Preto continuar as comemorações. Tivemos um bate-papo muito bacana sobre a pesquisa e o trabalho do Gandaiá, aproveitando para mostrar alguns vídeos de grandes palhaços em ação pelo mundo. E depois, claro, tinhamos que representar Indaiatuba nessa palhaçada e fomos mostrar algumas esquetes cuidadosamente ensaiadas 10 minutos antes para as pessoas presentes, aproveitando para brincar de ser feliz e imendar um "Parabéns pra você" cantado em coro, com direito a "Com quem será?", velinha apagada coletivamente e comilanças com bastante açucar e afeto. E assim terminou a festa, com crianças, adultos e palhaços juntos, comendo, sorrindo, brincando... vivendo.

Que venham muitas outras festas de aniversário, sempre com a participação de todo mundo e do mundo todo, sempre com a alegria consciente do palhaço que faz rir para libertar, sempre com a luminosidade do olhar das crianças, sempre com a união das pessoas em torno do amor. Que o próximo ano seja de muita inspiração para todos, gratidão!

terça-feira, 24 de julho de 2012

Um pouco sobre o riso.


Em uma das andanças no mundo virtual nos deparamos com algo muito peculiar que juntou duas coisas que fazem parte da realidade de muitos gandaieiros: Yoga do Riso. O site oficial do Yoga do Riso conta que o Médico Madan Kataria e sua esposa Madhuri, que é professora de Yoga, tiveram a ideia de fomentar o riso nos parques públicos de Andheri, Mumbai, na Índia. A iniciativa foi um sucesso e os clubes do riso espalharam-se rapidamente por outras partes da cidade, do país e até do mundo. O site também nos fala dos benefícios do riso, que tem tudo a ver com o que o Gandaiá procura realizar nas apresentações de teatro de rua e nas visitas aos asilos e orfanatos. Seguem alguns benefícios:

- O riso mantém-nos saudáveis já que enriquece o sangue com amplos suplementos de oxigénio.

- Rir ajuda a tirar os efeitos negativos do stress e fortalece o nosso sistema imunológico.

- Ajuda a controlar a pressão sanguínea.

- Alivia a dor e nos da uma sensação de bem-estar com a libertação de endorfinas.

- É um efectivo antídoto para a depressão, a ansiedade e as desordens psicossomáticos. O riso produz serotonina que é o anti-depressivo natural.

- É excelente para realizar uma massagem interior.

- Dá-nos um ar feliz na face e faz brilhar os nossos olhos já que quando rimos estimulamos as glândulas lacrimais.

É por essas e outras que o Gandaiá busca sempre levar o riso (e o sorriso) para as pessoas, independente do tipo, cor, tamanho e até presença/ausência dos dentes. Rir é gostoso, prazeroso e não tem nenhuma contra indicação. Então que tal rirmos um pouco? Ria mais, mas se tiver dificuldade, chame um palhaço pra te ajudar!

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Gandaiá em Jáu (ou Jahu?)!



Antes do “nascer do pôr-do-sol”, lá estavam os palhaços com suas respectivas malas em direção à Jaú (ou Jahu!?).

Lá estavam novamente os mesmos palhaços andando, cantando e pagando os abusivos pedágios! Sim, palhaço também paga pedágio. Mas não vamos entrar no assunto...

...Mas qual o motivo dos palhaços irem a Jaú (ou Jahu)?

Naquela pequena e longínqua cidade estava acontecendo nada mais/menos que o II Fórum da Alegria em Saúde, o qual fomos convidados para apresentar uma pal(h)estra e até fomos chamados de “bem conceituados” (olha, que chique!). O Fórum realizou diversos eventos como pal(h)estras de ONGs, oficinas de atuação, mágica e até coffee-break (Para Nossa Alegria)! Lá tinha uma mistura de tudo, tinha dona de casa, palhaços, clowns, professor, médico e até tinha gente perdida. Encontramos também os nossos amigos do Cirurgiões da Alegria que se apresentaram antes de nós.

Jack Banana e Tutátis foram os palestrantes, na verdade Jack foi quem mais falou. Ele não parava de falar e quando aparecia uma fresta Tutátis entrava em ação, mas como alegria de (o que quiserem pensar) dura pouco, Mariáh Stropetta se encarregou de corrigir tudo o que ele dizia e também era a trocadora oficial dos slides.

Fim da pal(h)estra, todo mundo feliz (ou provavelmente não) e os palhaços com suas malas em mãos voltaram de onde saíram depois do “pôr do nascer-do-sol”.

Postado por Tutátis.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Grupo Gandaiá em: CAMPANHA DO AGASALHO


Depois de muito tempo de chuva o céu se abriu e o frio introduziu. Depois de muitos dias de amores o clima abaixou e a cinza se alargou de vida, que é vida sentida, que afirma verdades desafirmadas, que eu como eu, e meus amigos como meus amigos, não deixamos de nos incomodar com o sentir do dia a dia com o frio e na campanha do agasalho corremos pra fazer coisitas.

Pois bem, fomos para a campanha deste ano diferentes, em partes, pois como três mendigos (Eu, Nito, e Fanhusa) que sabiam muito bem pedir esmola. E tinha também dois frios: Jack e uma Brota (num sei o nome dela) que só sabiam fazer frio. Tinha dois vendedores: Tutatis e Thatá que só sabiam vender e tinha também dois compradores: Ravel e Mariah que só sabiam ignorar, ignorar mendigos.

E então percebemos que mendigos pediam esmola, e o frio sabia fazer frios, que vendedor sabia fazer vendas para ricos, que rico gostava de ignorar, que ignoraram até o final. De ignorar ficou, mas o que importa é que depois disso tudo o sol abrirá, mas enquanto isso a campanha do agasalho continuou e roupas quentinhas foram recebidas.

Enfim,
Beijos Calientes de Bruna/Carlota

domingo, 10 de junho de 2012

Casar ou não casar?


Sábado, data palhacística de 9 de junho de 2012, poucos dias para o fim do mundo. Eis que um punhado de 5 clowns nomeados Ravel, Tutátis, Fanhusa (que estava disfarçada de Nito Patela) Mariáh e Jack Banana (este palhaço que vos escreve) resolveram por acaso mensal do destino visitar a CECAL.

O clima estava veronil (de verão): o sol ensolarado, os velhinhos radiantes, as nuvens escondidas e os palhaços cintilantes (notem que este parágrafo rima). E num "beloíssimo" dia como este, não existe nada melhor do que casar.

Sim, meus caros leitores. Casar. E com direito a romance juvenil. Jack Banana (que sou eu, na terceira pessoa) rapidamente apaixonou-se e casou-se com a linda Dona Armelinda. Ravel casou-se tão rápido quanto, e Mariáh foi flertada pelo seu Cisso, mas nenhum casamento saiu desse encontro casual. Apenas amor de verão. Entre os nossos ilustríssimos visitados, também ocorreram revelações bombásticas de paixões ocultas, dignas de novela das 8.

E depois de tantos casamentos e tanto amor , os palhaços despediram-se, prometendo voltar para os braços e abraços de seus respectivos namoridos.

Postado por JB.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Pra que a pressa?


Discutir a pressa nesse mundo dos fluxos dá muito pano pra manga. Aliás, acabei de saborear uma maravilhosa manga comprada no mercado. Comi-a em frente a tela do computador, diferente de ontem, que comi-a (uma outra parte dela, é claro) no silêncio da cozinha pós-almoço. O sabor foi diferente, o tempo de degustação foi outro. Tive uma pressa inconsciente pra comer a manga, com certeza influenciado pelas informações que se atualizavam constantemente na tela. Enfim, estou com a sensação de ter perdido aquele pedaço de manga, não soube aprecia-lo como merecia. Fui um tolo e agora tenho apenas matéria mastigada dentro de mim, sem contemplação.

Mas a manga não vem ao caso. Nem os fluxos. E nem o pano.

(Pausa para lembrar o que vem ao caso)

Em um sábado, saímos nós, 4 palhaços do Gandaiá, de uma das visitas ao CECAL (Centro de Convivência Amor e Luz). Depois de uma hora de velhas musicas caipiras, danças improvisados e música ao vivo da pior qualidade, resolvemos por intuição sair andando pela avenida, sem rumo ou direção. Depois de passar por um legitimo bar alemão mudo e ganhar doces magníficos de uma doceria (vale até a propaganda, mas esqueci o nome da loja), passamos em frente a uma loja de objetos bonitos e caros. Trocamos algumas palavras e risadas com o pessoal da loja e nos ofereceram um copo de água (afinal, um copo d'água e um boquete não se rejeita pra ninguém). Aceitamos, não por educação, mas por sede. Paramos o nosso tempo. Entramos num lugar novo e desconhecido pra tomar água, sem pressa. Conversamos com pessoas maravilhosos, vimos alguns dos objetos de decoração mais bonitos da nossa vida e arrisco a dizer até que fizemos algumas novas amizades. Não tivemos pressa. Não olhamos no relógio (embora tivéssemos um compromisso logo em seguida). Deixamos um outro tipo de tempo nos guiar: o tempo espontâneo, que aparece na nossa abertura para as possibilidades do mundo.

Esse tempo espontâneo também esteve presente algumas horas antes, quando eu e o Jack encontramos com o grande Ceará tocando triângulo e cantando belas canções de samba e aproveitamos pra tocar e cantar com ele. Esteve presente também na hora de visita ao CECAL, aonde nos abrimos ao tempo leeeento dos velhinhos simpáticos e saudosistas. Enfim, o tempo espontâneo é o tempo do palhaço, um ser sem relógio que se abre as possibilidade e que vive sempre o presente.

E então eu me pergunto: pra que a pressa? Alias, pra onde estão indo os apressados? A pressa é realmente inimiga da perfeição? Isso me faz lembrar de uma historinha do Ítalo Calvino que li há pouco tempo:

“Entre as múltiplas virtudes de Chuang-Tsê estava a habilidade para desenhar. O rei pediu-lhe que desenhasse um caranguejo. Chuang-Tsê disse que para fazê-lo precisaria de cinco anos e uma casa com doze empregados. Passados cinco anos, não havia sequer começado o desenho. ‘Preciso de outros cinco anos’, disse Chuang-Tsê. O rei concordou. Ao completar-se o décimo ano, Chuang-Tsê pegou o pincel e num instante, com um único gesto, desenhou um caranguejo, o mais perfeito caranguejo que jamais se viu.”

Não farei aqui interpretação nenhuma da história, isso levaria muito tempo (risos!). Mas deixo uma pequena reflexão. Olho a volta e quando vejo o nosso mundo modificado pelo homem, quando vejo a nossa civilização, acredito que a pressa não tem nos levado a lugar algum. Um longo abraço.

por Marcus V. Mazieri

sexta-feira, 11 de maio de 2012

O palhaço tem tesão!


Sem tesão não há solução. Essa frase é também o título de um maravilhoso livro do Roberto Freire. Fica óbvio, já pelo título, que ele defende o tesão. O coloca como fator essencial para revoluções (ou apenas mudanças) sociais. É mesmo um livro muito interessante que coloca um fator geralmente considerado tabu em questões geralmente consideradas sérias. Sérias demais até. Uma seriedade que não cabe com a existência alegre do ser humano e muito menos com a do palhaço. Vejamos o que diz Freire em um trecho:

"Estamos, assim, concluindo pela existência também de um tesão antropológico e ecológico que mantém a ludicidade impregnada na natureza e na essência do homem. Este tesão o faz ligar-se, forte e apaixonadamente, sem necessitar nenhuma explicação consciente, a tudo o que lhe proporciona beleza, alegria e prazer. Por isso, os homens livres jogam e brincam com a vida. Por essa razão é que podem não ser “sérios”, não ser “responsáveis” e não ser “coerentes”. É isso também que os leva a não ser, espontaneamente, nem mórbidos e nem pessimistas face às naturais ocorrências trágicas, próprias da fragilidade dos seres vivos.”

O tesão aqui é colocado como o que nos liga ao belo, ao alegre e ao prazeroso. Alguém aí procura o oposto disso? As pessoas sem tesão sim! A repressão talvez nos leve a procura inconsciente do feio, do triste e doloroso. Há quem indiretamente pregue esta tríade como um caminho para Deus, como se a repressão pudesse nos levar além. A liberdade é essencial para a transcendência. É claro que essa busca da beleza, da alegria e do prazer deve ser consciente. Não confundir com a busca inconsciente imposta por uma mídia controladora, que impõe padrões irreais e anti-humanos de beleza, alegria e prazer. É uma busca do fundo do ser, sincera e real, que nada tem a ver com a massificação dos desejos consumistas. 

Se os homens livres jogam com a vida, são brincalhões, irresponsáveis e incoerentes, percebo então que os homens livres são palhaços! E os palhaços, obviamente, são livres! Quando vejo palhaços carregados de ideologia, engajados em lutas sociais  e ligados a causas religiosas acho bonito e importante. Mas é preciso ter o cuidado de não se ultrapassar a linha da liberdade, de não se encarcerar em tais ideologias e causas, em opiniões fortes, em fundamentalismos de todos os tipos. O palhaço não pode perder sua liberdade por imposições de valores morais e políticos. O tesão não pode ser esquecido, alias, o tesão tem que nortear o palhaço!

É função do palhaço o rir de si, o rir da vida. Enxergar a comicidade nas tragédias da vida humana. Ser otimista nas piores situações e rir (ou fazer rir) aonde todos só vêem motivos pra chorar. Por isso o palhaço deve fugir de tudo que seja antitesão, “porque essas coisas existem apenas para combater e impedir o viver natural lúdico, e, sobretudo, o relativismo existencial que chamamos de liberdade”. O tesão nos leva a liberdade, e vive-versa. Um palhaço sem tesão é uma palhaço sem liberdade, e um palhaço sem liberdade simplesmente não é. Por isso confirmo: o palhaço tem tesão, e muito! Então vamos todos soltar a pélvis! 

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Lambreta e Mereceu sobre palhaço e a rua


Lambreta (Gerson Bernardes) e Mereceu (Alexandre Simioni) são dois palhaços do Paraná que já estiverem pelas bandas Indaiatubanas. Em uma reportagem do Jornal de Londrina no ano passado eles, falaram um pouco sobre a arte do palhaço e sobre teatro de rua. Antes de colocar os trechos mais interessante da reportagem, tenho (o que vos fala, Marcus V. Mazieri) que falar um pouco com o coração. Tive o prazer e honra de ter aula com o grande Ale Simioni em duas ocasiões, em duas oficinas que ele veio ministrar aqui em Indaiatuba nos anos de 2009 e 2010. De quebra ainda pude vê-los em ação aqui na praça da cidade. Foi uma experiência incrível que me marcou  e me influenciou muito na construção do meu palhaço. Mas chega de lenga lenga, vamos logo a reportagem:

“Não fui eu quem escolhi ser palhaço. Foi o palhaço quem me escolheu”, declara Alexandre Simioni, que começou a pensar no assunto no início da década de 1990. Na ocasião, ele participou de uma oficina promovida pelo Plantão Sorriso com o palhaço Gabriel Guimard. “A partir daí me apaixonei pela linguagem, fiz mais oficinas e estudei sobre o palhaço”, diz. Algum tempo depois, Simioni coordenou, durante uns oito anos, do Doutor Palhaço, projeto do Sesc que desenvolve trabalho voluntário em comunidades carentes e hospitais.


Depois que o projeto terminou, Simioni resolveu encarnar o palhaço Mereceu e montar dupla com o amigo Gerson Bernardes, o Lambreta, que também atuou no Doutor Palhaço. Das comunidades e hospitais, os dois foram às ruas. “É um espaço democrático, pois há relação com todo o tipo de público. Tem que fisgar e manter o público”, diz Simioni. Para Bernardes, a rua dá a certeza ao ator de quem realmente está interessado no espetáculo. “Na rua a gente pode ver quem realmente escolhe nos ver”, diz Bernardes.


A história de Bernardes com a linguagem do palhaço começou cedo, por volta dos 14 anos. “Eu já era ator e comecei a trabalhar em animação de festas”, lembra. O que lhe chama a atenção nesse tipo de trabalho é a crítica que se pode fazer. “É uma arte questionadora, acima de tudo. Questiona hierarquia, ordens, pontos de vista”, ressalta. Até agora, o único espetáculo dos dois, que montaram a dupla em 2009, é o que será apresentado amanhã. Qual a graça de Laurinda? ganhou, no ano passado, o prêmio Carequinha, da Funarte, e circulou em dez cidades do Paraná.


Houve um dia em que Lambreta e Mereceu estavam se apresentando pelas ruas de Paranavaí, no noroeste do Paraná, quando precisaram improvisar. “Tinha uma mulher que, tudo o que a gente fazia, ela gritava e falava alto. Estava bêbada e queria chamar a atenção”, lembra Simioni. “Fomos até lá, abraçamos a mulher, incluímos ela no espetáculo. E ela ficou mais tranquila”, completa. Fazer espetáculo em rua é assim, tem que lidar com improvisos. “A gente tem que estar pronto para qualquer coisa”, diz.


Às vezes aparece um cachorro para assistir, e é preciso interagir com o animal. “O legal de ser palhaço é que, mesmo com roteiro, a gente lida muito com o improviso”, observa. Ou então, frequentemente os palhaços precisam enfrentar a chuva. “Já tivemos problemas com a chuva. Já aconteceu da gente ter que esperar. Então a chuva acalma e a gente monta tudo e, quando vai começar, volta a chover.”


Você pode ver a reportagem completa aqui. Acesse o blog do Triolé Cultural pra saber mais sobre eles. 

terça-feira, 20 de março de 2012

Entrevista com Ésio Magalhães


No dia 09 de setembro de 2010 (faz tempinho já), Ésio Magalhães, multi-artista co-fundador do Barracão Teatro, participou de um bate-papo online no Portal da SP Escola de Teatro. É claro que o assunto seria o palhaço, já que Zabobrim (o palhaço do Ésio, se assim poderíamos dizer) é referência no ramo. O tema era, especificamente, "A Linguagem do Palhaço: Palhaço Comunica– ação", pois para ele "é assim que o palhaço comunica: pelas ações que realiza". Selecionamos aqui os trechos mais importantes em que se fala um pouco do que é o palhaço hoje, das suas possíveis atuações no mundo (inclusive no hospital) e dos grandes mestres palhaços. O papo na íntegra você pode ver aqui.

Ésio, como você o espaço para clowns tipo Chaplin no Brasil? É que eu busco um palhaço que se aproxima demais a ele, Carlitos. Mas não quero imitá-lo (até porque é impossível).
  O Chaplin viveu o Carlitos, o seu palhaço. Não entendo que ele tenha esgotado o palhaço, mas sem dúvida quando Chaplin morre, o Carlitos também se vai. Sobre ter espaço para este tipo de palhaço no Brasil, eu acho que existe sim o espaço para o palhaço. Sempre! O que deve ser encontrado é o público ao qual ele se destina.
  Acho que o palhaço só imita o outro para começar sua trajetória, mas quando se faz de fato, não consegue mais seguir imitando. É como aprender a andar... Vamos pela imitação dando os primeiros passos e depois caminhamos como e por onde queremos, entende?

Como é, ou como deve ser o trabalho de ator para o palhaço “doutor da alegria”, já que o mesmo estará lidando com uma platéia intimista portadora de necessidades físicas visíveis?
  Bem, antes de mais anda deixe-me esclarecer que Doutores da Alegria é o nome de um grupo de artistas, uma organização que leva o trabalho do palhaço para o hospital. Não é que o trabalho de palhaço em hospital se chame “Doutores da Alegria”. Eu mesmo orientei outros grupos que fazem esta atividade em outros lugares e com outros nomes. Enfim, sobre o trabalho do palhaço no hospital, a sua formação deve ser de artista e ele deve redimensionar o seu trabalho para o hospital. Conheço palhaços que trabalham muito bem na rua e que nãos e dão bem com o hospital, mas não porque lhes falte técnica, e sim porque não conseguem dentro do hospital se sentir bem pra trabalhar. Então, o que eu penso que seja fundamental é que o palhaço que se interesse em trabalhar no hospital esteja ciente que vai encontrar pessoas em tratamento. Pessoas que estão sob cuidados e que tem limites, mas tem muitas possibilidades que podem e devem ser exploradas.

Caro Ésio, estava a ler um artigo publicado na revista Anjos do Picadeiro 7 da Adriana Schneider Alcure onde ela problematiza um crer que o “palhaço é o possível guru do século XXI”, acho uma provocação bem pertinente para discutirmos os rumos que vem tomando a palhaçaria contemporânea. Poderia comentar um pouco sobre a palhaçaria atuante?
  Respeito muito e gosto mesmo da Adriana. E também da sua produção, mas não consigo concordar com a idéia do palhaço ser um guru. Porque pra mim o palhaço é um perdedor que segue tentando. É um apaixonado pela vida!Ele quer continuar tentando sempre, não se deixa fracassar. Embora o mundo todo diga a ele que é um derrotado, ele não veste esta camisa e segue tentando. Então, se você me diz que esta visão pode ser usada como uma saída para o nosso mundo, eu concordo! Mas esta é uma leitura do público e não do próprio palhaço. O palhaço não é um líder, como foi Che ou Ghandi. Ele é o vagabundo, o perdedor que nos mostra que nós, humanos, somo imperfeitos. Se somos a imagem e semelhança de Deus, então a imperfeição está nele também. Pra mim o palhaço não é guru, ele é quem tenta e não consegue, mas continua tentando. Não creio que palhaços em hospitais sejam salvadores! Nem os médicos o são. Por que o palhaço seria? Esta visão é da sociedade que diz “que lindo trabalho! Eu nuca faria...”. Mas não é o palhaço um salvador. Ele pode até salvar, mas sem querer, sem esta intenção!

Ésio, como você vê a relação do palhaço com o improviso.
  A relação é muito grande, no meu ponto de vista, pois o palhaço é uma máscara que joga o tempo todo no presente. Então, ele, assim como nós estamos improvisando o tempo todo os nossos encontros. Como este, agora, no chat. Não é que eu tenha lido o script antes e tenha decorado as respostas. Estou reagindo, respondendo às perguntas. O palhaço é a mesma coisa! Ele chega, percebe como o público está e joga com ele. É muito importante que o palhaço, mesmo que não trabalhe diretamente com a improvisação, em suas rotinas, tenha abertura para improvisar, pois é isso que o faz vivo no tempo restante. Mas no caso do palhaço a improvisação não é um fim, mas um meio, um recurso.

Ésio, qual a potência do humor clownesco no diálogo com as questões da sociedade? O que ele tem de peculiar?
  A potência é muito grande! Acho que o riso “é o mais inocente dos assassinos”, como diria um filósofo que não lembro mais o nome. O riso pode criticar nossa maneira de viver, nossos costumes, nossas idéias e crenças. Acho que o riso abre um espaço muito grande para falarmos de questões sérias. Até porque o palhaço quando apanha e causa riso na platéia não está se divertindo! Ele está apanhando! Isto não é bom pra ele, mas é através disso que vemos nossa própria violência. Acho que esta é a peculiaridade do trabalho do palhaço, e aí falo do riso, para tocar questões importantes de nossa existência. Sem o peso da culpa, mas com a idéia de refletir.Como um espelho!

Gostaria de saber se achas que o palhaço é também um modo de vida. O que mudou quando você decidiu ser palhaço?
  Eu acho que palhaço é sim um modo de vida. Eu ganho a minha assim, trabalhando como palhaço. Não simpatizo muito com a idéia de que palhaço seja uma filosofia de vida, pois o palhaço tem muitos problemas! Eu por exemplo, quando comecei a perder os meus cabelos sofri muito. Queria ser um galã! Já não tinha crescido muito e ainda seria careca? Que sorte, hein? Pra mim, viver o palhaço, assistir a bons palhaços me mostra me faz querer viver num mundo mais compreensivo, mais tolerante, mas não acho mesmo que o palhaço seria uma filosofia de vida, um caminho a seguir, uma luz no fim do túnel! Não acho que palhaço seja religião. Até porque tem igreja que ganha muito mais do que os palhaços!

Existem regras para ser um bom palhaço?
  A única regra básica que sigo desde a minha iniciação é que palhaço não tem regra! Não tem regra mesmo! Você vai ver palhaço de nariz, sem nariz, de sapatão, de sapatinho, um mais eloqüente, outro mais quietinho, um espalhafatoso, outro introspectivo. O palhaço tem que ser bom! Encantar a platéia! Quando isto acontece é ele quem dita as regras. Pelo menos na interação na qual ele está trabalhando.

Quais suas maiores inspirações e referências “palhacísticas” e “clownescas”?
  Minhas referências primeiras são meus domingos a noite na minha infância, quando assistíamos aos trapalhões. Outra referência boa é Jerry Lewis, nas “sessão da tarde”. Tudo isto é minha infância. Depois que comecei a trabalhar procurei outras como Chaplin, Gordo e Magro, palhaços de circo, sempre foram minhas referências maiores. Depois conheci outros grandes palhaços que me deram grandes contribuições! Gosto muito do jogo de corpo do Buster Keaton, por exemplo!

O que você acha dessa nova onda do “humor de cara limpa”, o famoso Stand up?    
  Pra mim tem os bons e os péssimos. Não sou muito simpático ao humor que acentua os preconceitos e não gosto do humor que ridiculariza o outro. Pra mim palhaço é na primeira pessoa. Eu-palhaço.  Eu ridículo. O Stand up em alguns casos é bom, com bons humoristas e piadas. Gostava de Juca Chaves e Ari Toledo. Bem, voltando ao Stand up, tem uns que são bons e outros que só reforçam a banalidade e a futilidade!

Tem muita gente que ainda acredita que o palhaço é um personagem, mas eu não acredito nisso. Costumo dizer que o palhaço é você sem a máscara que a sociedade te impõe. Seria ele um escape da vida real, ou ele seria a vida real?
  Eu acho que o palhaço é palhaço, ridículo, pois está inserido na vida real. Mesmo que em fantasia. A vida real é o seu meio. Então não consigo vê-lo como válvula de escape, pois da vida ninguém escapa – a não ser quando morre! O palhaço sofre as conseqüências da vida real e isto o faz ridículo. Costumo dizer que se todos fossem palhaços, o ridículo seria o único a não ser, entende? Se todos são palhaços, não temos o parâmetro para o riso. O riso precisa ser sério para se fazer. É preciso o centro para se ter o excêntrico.

Não vejo o palhaço como uma solução dos problemas, salvador dos fracos e dos oprimidos, mas sim como algo que acrescenta, encoraja, nos coloca em contato com as próprias fragilidades e é justamente isso, o contato, a aceitação, que faz com que busquemos as soluções.
  Eu também vejo desta forma. Ver nossa fragilidade é muito importante, pois ela faz parte de nós! O palhaço é esta figura que nos mostra quão frágeis somos e é bom ver ali, na nossa frente, pois assim, de certa forma, entendemos que somos imperfeitos.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Ah, as palhaças!

O Dia Internacional da Mulher já passou, foi (de novo) no dia 08 de março, mas eu parei pra pensar aqui e percebi uma coisa: seria esse também o dia certo pra se comemorar o Dia Internacional da Palhaça? Sem querer polemizar com essa questão de gênero, há quem diga que o clown é assexuado, e pode ser que tenha quem fale que palhaço é palhaço, seja homem ou mulher (igual esse lance de presidente, saca?). Segundo as normas na nossa amada língua portuguesa o termo "palhaça" existe sim, é o feminino de palhaço (ah vá!) e pode ser usado sem ferir a norma (o)culta.

Pesquisando pela internet a fora, encontra-se o espetáculo de rua "É das palhaças que elas gostam mais", do Grupo Nariz de Cogumelo, que tem no seu elenco 4 palhaças e que inclusive tem uma oficina dedicada a comicidade feminina específica das palhaças. Você pode conferir o trabalho sensacional desse grupo de Salvador no blog delas e aproveitar para ver belíssimas fotos de palhaças em ação. Outra palhaça com A maiúsculo é a famosa e incrível Gardi Hutter, que é considerada a palhaça número 1 do mundo (nem me pergunte a fonte disso) e diz que ser palhaça tem uma desvantagem: não ter exemplos nenhum a seguir (o grandes palhaços do passado, como Charlie Chaplin e Buster Keaton, sempre foram com "O") mas tem a vantagem de ser raro e novo, chamando a atenção do público. Com certeza vou deixar de lado vários nomes importantes devido a minha ignorância sobre o tema, mas, se você souber de mais palhaças referências contribua com essa postagem comentando abaixo.

Temos que reverenciar e aplaudir muito todas as palhaças do mundo, que cada vez mais fazem do palhaço uma arte aberta a tudo e a todas. Minha admiração por estes seres únicos (as palhaças, é claro) é infinita, o bem que  fazem para nossos órgãos dos sentidos é incalculável. Se um dia quiserem me elogiar como artista, me chamem de palhaça! Aproveitando o momento faço dessa postagem uma homenagem especial a todas as palhaças gandaieiras, que fazem do Gandaiá um grupo mais belo, mais leve, mais forte, mais organizado e mais intenso. Seguem as belezuras:

Carlota (Bruna Biasi)

Mariah Stropetta (Camila)

Shambalaju (Julia Chagas)

Olivia Palmito (Andréia Domingos)

 Fanhusa (Ana Lopes)

Thakabum (Mayra Cavalli)

Sofi (Giovanna Melanie)

Mary Poppins (Rafaele Paiva)

Thatá (Kamilla Silva)

 Tia elefanta (Mônica Ambiel)

(singela homenagem feita por Nito Patela, ou Marcus Mazieri)

domingo, 11 de março de 2012

Gandaiá no Dispa-se Sarau


No enfadonho e gorducho dia 10 de março de 2012, também conhecido como último sábado ou como um dia qualquer do ano do fim do mundo, o Gandaiá participou do Dispa-se Sarau, uma realização do Despidas Coletivo (o galera que gosta de se despir hein!). A ideia do pessoal é super responsa, se liga:
"Em meio a uma sociedade formada por pessoas que, por manipulação/alienação/comodismo ou falta de acesso, compartilham dos mesmos gostos e opiniões padronizadas, criamos nosso coletivo na esperança de não somente promover a cultura, mas também repensar valores e, se possível, gerar certo inconformismo. Nosso intuito não é outro senão esse. 
Soou ingênuo? Bem, se tentativas de quebrar preconceitos são utópicas ou ingênuas, sejamos ingênuos!"
E o Gandaiá teve o lisonjio (acha que essa palavra não existe) de ser convidado para participar desse "despimento" metafórico (infelizmente) para apoiar a cultura da RMC e ajudar na disseminação da subcultura caipiro-descendente do palhaço (ou para os mais finos: clowns). Foram pra lá alguns enviados especiais altamente especializados em merda nenhuma (me desculpem pelos palavrões crianças): Écolla, Mariah, Tutátis, Nito Patela e a cantora Carlota, que fizeram, dentre outras façanhas inacreditáveis, algumas esquetes, leram poemas (na verdade um só) e cantaram  musicas de composição duvidosa própria.

Foi uma noite maravilhosa, não só para os pobres coitados que tiveram a honra (e desgraça) de nos ver de pertinho como para nós, humildes palhaços do reino Nogueira, que pudemos conhecer pessoas lindas, cults, inteligentes, loucas, simpáticas, humildes, muito loucas, legais, um pouco bêbadas, fofas, intrigantes, sensuais, artistas, enfim, gente como a gente. Declaramos desde já e para todo o sempre que estar junto com Despidas é um enorme prazer!



Observações extras:
- tem mais fotos no nosso Picasa, acessa lá
- as fotos estão em sépia porque Sarau é uma coisa cult (e a qualidade da câmera é ruim)
- o Despidas Coletivo tem facebook
- o imbecil que escreveu tudo isso fui eu, Nito Patela ou Marcus Mazieri, sei lá (eu também tenho facebook)
- o Gandaiá não apoia nenhum tipo de preconceito e não opinamos a respeito da maconha

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Não precisa muito para tocar um coração

[enquanto isso no projeto BROTINHOS EM AÇÃO..]



Neco: Oi Alex.
Alex: [...] silêncio
Neco: Oiiiii Alex \o/
Alex: [...] silêncio e cabisbaixo
Neco: Ow A...
Alex: [abraço]
Neco: [silêncio] s2



As vezes uma visita inteira de atividades de desenho, brincadeiras, corre corre jogando bola e aniversário da Jade e do Jack (agora capitão cueca), se resume em ABRAÇO. 

Relatado por Neco, de coração derretido igual manteiga na chapa e olhos brilhando de alegria.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Nem quente, nem frio...

(...enquanto isso no Patetologistas...)


Nem todo dia ensolarado é quente e nem todo dia frio é gelado. Tem dia que é assim, nem mais menos, morno. Hoje a visita dos aspirantes a clowns Nito Patela e Jack Banana foi assim, morna. Acordar cedo é chato (e de sábado então, pior ainda) e temos que levar isso em consideração (ou não).

Muita conversa aqui e ali resulta emassuntos peculiares: culinária, estética, moda, tamanho das bolas... hein? Será que é normal ter as bolas em tamanhos diferentes?  E bexigas vermelhas? Já estou me perdendo aqui, as vezes me pergunto se alguém que não estava na visita consegue entender o que eu escrevo aqui (hein?).

Nem todo papo é um ‘papo cabeça’ mas todo papo é, com certeza, uma bela maneira de se trocar energia com quem a gente (a gente é separado mas devemos sempre tentar ser juntos) quer o bem.  Mesmo que um palhaço não consiga falar nada além de ‘bobagens’ ele pode olhar no olho enquanto fala e ouvir com a mesma empolgação de quando é ouvido. E isso é raro entre gente grande (que insiste em se separar).

Mas tenho que falar como foi esse dia morno, tenho que falar que querem que eu corte o cabelo (e que até duvidam de que ele é real), que o Jack andou treinando muito pra fazer malabarismo com rodas de papelão com maestria, que as pessoas trocam de lugar na Thompson e parecem que se tornam novas pessoas e que câmeras estão nos filmando sem nariz (cenas chocantes!!!).  Beijos mil ,Brasil!

Relatado por Nito Patela, um vagabundo que precisa treinar.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Bem-vindos a Larywood!

(enquanto isso no projeto Minha Vida Virou Palhaçada...)


A chuva finalmente deu uma trégua na cidade de Indaiachuva. Ou 'tuba', como preferirem.O sol veio para iluminar. E a ocasião pedia realmente LUZ, além da CAMÊRA e AÇÃO.


A visita deste domingo era mais especial, contávamos com a ilustre presença de Rony, um filmador ou seja lá qual for o nome de quem é profissional em filmagem, e ele nos acompanhou ao Lar Emmanuel para registrarmos algumas conversas entre nós, clowns, e nossos amigos de idade um pouco mais avançada.


Foram algumas conversas, olás e abraços, tudo sendo devidamente registrado pelas lentes de Rony, até avistarmos nossa entrevistada do dia: Dona Germana.



Mariáh, Fanhusa, Ravel, Thatá e Écolla foram os entrevistadores.Alguns sentados no chão, outros na cama, começamos a conversar com a esquecida, querida, confusa e simpática D. Germana que logo de cara foi reclamando que está ruim e há algum tempo não come.


Mas ela foi surpreendida, pois, alguns instantes antes, nós a flagramos comendo banana!


E essa foi só a primeira de muitas trocas e divertidas contradições de Dona Germana durante nossa prazerosa conversa que não irei contar em detalhes aqui, afinal, está tudo devidamente registrado e vai ser bem melhor ouvir(e ver) a própria Germana contando suas divertidas, confusas e [i]reais histórias.


Aguardem o primeiro vídeo do MVVP que estará disponível nos melhores vídeo-arquivos do seu computador!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Um passarinho azul me contou...

Salve salve povo ligado, interligado e sempre conectado, sigam nosso perfil no twitter: @clowngandaia