quinta-feira, 15 de março de 2012

"Pelo Cano" no SESC Campinas.


Como parte da programação do A(R)MANDO O CIRCO, evento realizado pelo SESC Campinas em comemoração ao dia do Circo (que no Brasil é comemorado no dia 27 de março em homenagem à data de nascimento do palhaço Piolim), acontece amanhã, dia 16/03 às 20h, a apresentação da peça "Pelo Cano", com as palhaças Emily e Manela, do Jogando no Quintal. A peça tem concepção, criação e atuação das mesmas: Vera Abbud e Paola Musatti. Mais detalhes sobre a peça no site do Jogando. Confira a sinopse (retirado do Portal SESCSP):
"As alterações da amizade, a inaptidão com o dinheiro, as trapalhadas da inveja e os eternos sonhos de amor são alguns dos temas que permeiam a existência das palhaças Emily e Manela. Diversos objetos traçam o caminho deste espetáculo. Dois canos, um sifão de pia, um tubo cirúrgico, alguns rolos de fita crepe e uma nota de cem reais escapam de sua função cotidiana e utilitária e acabam por interferir na relação entre as palhaças, levando a realidades inesperadas."

Então não esquece:
Dia 16/03, sexta, 20h, no Teatro Sesc Campinas (Rua Dom José I, 270/333).

terça-feira, 13 de março de 2012

Entrevista com Gardi Hutter


Devido a quantidade de prêmios que ganhou com seus espetáculos em todo o mundo (já foram quase três mil apresentações em quatro continentes), a suiça Gardi Hutter é considerada a melhor palhaça do mundo. Quando veio ao Brasil, em 2009, apresentar o espetáculo Souffleuse, que pode ser traduzido como "O ponto", ela concedeu uma entrevista à Deutsche Welle. Na entrevista Hutter fala sobre sua história no teatro, em como é ser palhaça em um mundo dominado por homens (inclusive ela conclama as mulheres para serem palhaças!) e também, é claro, sobre seu trabalho e a peça. 

Por que você se tornou palhaça?
  Eu frequentei uma escola clássica de artes cênicas em Zurique e, desde o princípio, notei que tinha um talento para o cômico e também que, em toda a literatura teatral, seja ela clássica ou moderna, simplesmente não existiam papéis cômicos para mulheres jovens.
  E o palhaço sempre me fascinou. Ele é a liberdade em pessoa. A ele, tudo é permitido. Ele pode ser mau, pode ser antipático. Ele é motivo de risos, de aplausos e, por isso, ele é querido.

Você tem vantagens por ser uma palhaça mulher?
  A desvantagem foi que eu não tinha exemplo nenhum a seguir. Não havia referências. Claro que Charlie Chaplin e Buster Keaton são exemplos. Mas era como se a forma feminina da comédia não existisse. Eu não sabia se o motivo era biológico ou sociológico. Essa situação me revoltava e, por outro lado, me dava a energia necessária para aguentar alguns anos até que a peça estivesse pronta.
  Quando ela ficou pronta, eu só tive vantagens como mulher, porque é raro, porque é novo, porque em festivais de comédia há 18 homens e talvez duas mulheres. A imprensa reagiu com grande interesse. Passei então a ter vantagens por ser raridade.

Na sua peça Joana d'ArPpo, você faz o papel de uma lavadeira que luta contra inimigos fictícios em sua lavanderia. Até que ponto essa é uma peça feminista?
  Diz-se que o palhaço não tem sexo. E não tem mesmo, mas até agora ele era só masculino. O palhaço funciona através do exagero. Ele é tão trágico que se torna cômico. Para mim, era importante que também se pudesse rir de uma mulher.
  Eu sou uma mulher autônoma, com uma empresa, mas minhas peças não são ideológicas. Acho que o palhaço rejeita qualquer tipo de ideologia. Quando eu conto uma história, é a lógica da história que me impulsiona, não a minha ideologia.
  Pode-se pensar que Joana d'ArPpo é uma peça feminista, mas em todas as histórias de palhaço, existem perdedores, pessoas em má situação, que estão à margem da sociedade, que passam fome, que são pobres. Charlie Chaplin, por exemplo, não faz o papel de um homem rico, feliz, mimado, mas de um mendigo. Mas, no caso dos homens, a ideologia não é questionada. No caso das mulheres, sim.

Existem diferentes tipos de palhaço. Charlie Chaplin é um deles. Como é o seu?
  Acho que esta diferença está na história que conto. Não por ser ideológica, mas por ser uma mulher, conto histórias do mundo feminino que até agora não foram apresentadas no palco. Onde já se viu uma lavadeira, uma secretária, uma Souffleuse e uma costureira, que será a próxima, em peças de palhaço?
  As histórias escritas até hoje são em sua maioria histórias masculinas, o material das histórias femininas ainda não foi revelado. E isso tampouco é ideológico. Ao se introduzir uma ideologia, o palhaço some. Como artista, procuro naturalmente um material que ainda não foi utilizado.

Você utiliza pouca linguagem e também pouca mímica, mas conta uma história em suas peças. Um palhaço precisa contar uma história? E o lugar dele é no circo?
  É um enorme engano achar que o palhaço pertence ao circo. No circo, há uma tradição de palhaço, mas ela é muito recente. Somente há 150 anos há palhaços em circos e, para muitas pessoas, palhaço e circo são a mesma coisa. Mas o palhaço é bem anterior ao circo. Já existiam na época dos gregos, dos romanos. O saltimbanco é um tipo de palhaço.
  No teatro, encontram-se palhaços nas peças de Shakespeare, na Commedia dell'arte. O arlequim é uma espécie de palhaço. A história do palhaço se confunde com a história da civilização. Nas grandes festas de inverno, quando os mortos vinham ao mundo dos vivos, já existiam figuras bufonescas. Em toda sociedade, tais figuras foram criadas para funcionar como uma espécie de válvula de escape. E elas aparecem muito antes no teatro do que no circo.

Em 2007, você recebeu o grande prêmio do Festival Internacional Fringe de Nova York, considerado o talvez mais importante festival de artes performáticas do mundo. Pode-se dizer que você é a melhor palhaça do planeta?
  A imprensa escreve isso sobre mim, mas eu não posso dizer isso, naturalmente. Mas eles escrevem pela falta, porque existem tão poucas palhaças. Há algumas, mas em todos os festivais nos encontramos. Então eu penso: Ah, nós cinco novamente. Eu conclamo todas as mulheres: escrevam suas peças! Eu quero concorrência.

Como é a nova peça que você leva agora ao Brasil?
  Para o Brasil, eu levo agora a Souffleuse (O ponto). Em comparação com a Joana, com a qual me apresentei quatro vezes no Brasil, O ponto é mais teatral. Antigamente, embora isso exista ainda hoje, havia no meio dos palcos do teatro uma cúpula e lá embaixo uma pessoa sussurrava o texto para atores que o esqueciam. Essa função era exercida, na maioria das vezes, por uma atriz mais velha e sem trabalho, que acabava assumindo o ponto do teatro.
  Ela conhece os atores pela voz e pelo cheiro do pé, porque ela sempre vê o mundo por baixo. Ela construiu uma boa vida embaixo do palco. Fez lá uma casinha, com livros, quadros, flores. O caminho para o trabalho não é longe e ela tem que se vestir bem só até a cintura, porque o resto não se vê.
  Mas o teatro vai fechar, porque um novo prédio foi construído e ela é então esquecida. Somente durante o decorrer do espetáculo, ela nota que está sozinha. É naturalmente uma situação triste. Isso é o que acontece hoje a muitas pessoas cujas profissões não são mais requisitadas ou foram demitidas. No caso da Souffleuse, é ainda pior. Ela é simplesmente esquecida e não pertence mais a lugar nenhum.
  No entanto, o espetáculo é engraçado. Eu atraio as pessoas através de seus verdadeiros medos e aflições. A situação da Souffleuse é muito pior do que a dos espectadores, mas eles riem dela a noite inteira. Isso é o que me fascina no palhaço – que ele possa fazer algo tão triste se tornar cômico.
  Acho que quando algo é somente engraçado, 15 minutos depois ele se torna monótono. Acredito que o que faz o público amar o palhaço é o fato de ele ser trágico. Sua história é ainda mais trágica que a história das pessoas na plateia. Ao rir do trágico, o público também se liberta dos seus medos.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Ah, as palhaças!

O Dia Internacional da Mulher já passou, foi (de novo) no dia 08 de março, mas eu parei pra pensar aqui e percebi uma coisa: seria esse também o dia certo pra se comemorar o Dia Internacional da Palhaça? Sem querer polemizar com essa questão de gênero, há quem diga que o clown é assexuado, e pode ser que tenha quem fale que palhaço é palhaço, seja homem ou mulher (igual esse lance de presidente, saca?). Segundo as normas na nossa amada língua portuguesa o termo "palhaça" existe sim, é o feminino de palhaço (ah vá!) e pode ser usado sem ferir a norma (o)culta.

Pesquisando pela internet a fora, encontra-se o espetáculo de rua "É das palhaças que elas gostam mais", do Grupo Nariz de Cogumelo, que tem no seu elenco 4 palhaças e que inclusive tem uma oficina dedicada a comicidade feminina específica das palhaças. Você pode conferir o trabalho sensacional desse grupo de Salvador no blog delas e aproveitar para ver belíssimas fotos de palhaças em ação. Outra palhaça com A maiúsculo é a famosa e incrível Gardi Hutter, que é considerada a palhaça número 1 do mundo (nem me pergunte a fonte disso) e diz que ser palhaça tem uma desvantagem: não ter exemplos nenhum a seguir (o grandes palhaços do passado, como Charlie Chaplin e Buster Keaton, sempre foram com "O") mas tem a vantagem de ser raro e novo, chamando a atenção do público. Com certeza vou deixar de lado vários nomes importantes devido a minha ignorância sobre o tema, mas, se você souber de mais palhaças referências contribua com essa postagem comentando abaixo.

Temos que reverenciar e aplaudir muito todas as palhaças do mundo, que cada vez mais fazem do palhaço uma arte aberta a tudo e a todas. Minha admiração por estes seres únicos (as palhaças, é claro) é infinita, o bem que  fazem para nossos órgãos dos sentidos é incalculável. Se um dia quiserem me elogiar como artista, me chamem de palhaça! Aproveitando o momento faço dessa postagem uma homenagem especial a todas as palhaças gandaieiras, que fazem do Gandaiá um grupo mais belo, mais leve, mais forte, mais organizado e mais intenso. Seguem as belezuras:

Carlota (Bruna Biasi)

Mariah Stropetta (Camila)

Shambalaju (Julia Chagas)

Olivia Palmito (Andréia Domingos)

 Fanhusa (Ana Lopes)

Thakabum (Mayra Cavalli)

Sofi (Giovanna Melanie)

Mary Poppins (Rafaele Paiva)

Thatá (Kamilla Silva)

 Tia elefanta (Mônica Ambiel)

(singela homenagem feita por Nito Patela, ou Marcus Mazieri)

domingo, 11 de março de 2012

Gandaiá no Dispa-se Sarau


No enfadonho e gorducho dia 10 de março de 2012, também conhecido como último sábado ou como um dia qualquer do ano do fim do mundo, o Gandaiá participou do Dispa-se Sarau, uma realização do Despidas Coletivo (o galera que gosta de se despir hein!). A ideia do pessoal é super responsa, se liga:
"Em meio a uma sociedade formada por pessoas que, por manipulação/alienação/comodismo ou falta de acesso, compartilham dos mesmos gostos e opiniões padronizadas, criamos nosso coletivo na esperança de não somente promover a cultura, mas também repensar valores e, se possível, gerar certo inconformismo. Nosso intuito não é outro senão esse. 
Soou ingênuo? Bem, se tentativas de quebrar preconceitos são utópicas ou ingênuas, sejamos ingênuos!"
E o Gandaiá teve o lisonjio (acha que essa palavra não existe) de ser convidado para participar desse "despimento" metafórico (infelizmente) para apoiar a cultura da RMC e ajudar na disseminação da subcultura caipiro-descendente do palhaço (ou para os mais finos: clowns). Foram pra lá alguns enviados especiais altamente especializados em merda nenhuma (me desculpem pelos palavrões crianças): Écolla, Mariah, Tutátis, Nito Patela e a cantora Carlota, que fizeram, dentre outras façanhas inacreditáveis, algumas esquetes, leram poemas (na verdade um só) e cantaram  musicas de composição duvidosa própria.

Foi uma noite maravilhosa, não só para os pobres coitados que tiveram a honra (e desgraça) de nos ver de pertinho como para nós, humildes palhaços do reino Nogueira, que pudemos conhecer pessoas lindas, cults, inteligentes, loucas, simpáticas, humildes, muito loucas, legais, um pouco bêbadas, fofas, intrigantes, sensuais, artistas, enfim, gente como a gente. Declaramos desde já e para todo o sempre que estar junto com Despidas é um enorme prazer!



Observações extras:
- tem mais fotos no nosso Picasa, acessa lá
- as fotos estão em sépia porque Sarau é uma coisa cult (e a qualidade da câmera é ruim)
- o Despidas Coletivo tem facebook
- o imbecil que escreveu tudo isso fui eu, Nito Patela ou Marcus Mazieri, sei lá (eu também tenho facebook)
- o Gandaiá não apoia nenhum tipo de preconceito e não opinamos a respeito da maconha

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Não precisa muito para tocar um coração

[enquanto isso no projeto BROTINHOS EM AÇÃO..]



Neco: Oi Alex.
Alex: [...] silêncio
Neco: Oiiiii Alex \o/
Alex: [...] silêncio e cabisbaixo
Neco: Ow A...
Alex: [abraço]
Neco: [silêncio] s2



As vezes uma visita inteira de atividades de desenho, brincadeiras, corre corre jogando bola e aniversário da Jade e do Jack (agora capitão cueca), se resume em ABRAÇO. 

Relatado por Neco, de coração derretido igual manteiga na chapa e olhos brilhando de alegria.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Nem quente, nem frio...

(...enquanto isso no Patetologistas...)


Nem todo dia ensolarado é quente e nem todo dia frio é gelado. Tem dia que é assim, nem mais menos, morno. Hoje a visita dos aspirantes a clowns Nito Patela e Jack Banana foi assim, morna. Acordar cedo é chato (e de sábado então, pior ainda) e temos que levar isso em consideração (ou não).

Muita conversa aqui e ali resulta emassuntos peculiares: culinária, estética, moda, tamanho das bolas... hein? Será que é normal ter as bolas em tamanhos diferentes?  E bexigas vermelhas? Já estou me perdendo aqui, as vezes me pergunto se alguém que não estava na visita consegue entender o que eu escrevo aqui (hein?).

Nem todo papo é um ‘papo cabeça’ mas todo papo é, com certeza, uma bela maneira de se trocar energia com quem a gente (a gente é separado mas devemos sempre tentar ser juntos) quer o bem.  Mesmo que um palhaço não consiga falar nada além de ‘bobagens’ ele pode olhar no olho enquanto fala e ouvir com a mesma empolgação de quando é ouvido. E isso é raro entre gente grande (que insiste em se separar).

Mas tenho que falar como foi esse dia morno, tenho que falar que querem que eu corte o cabelo (e que até duvidam de que ele é real), que o Jack andou treinando muito pra fazer malabarismo com rodas de papelão com maestria, que as pessoas trocam de lugar na Thompson e parecem que se tornam novas pessoas e que câmeras estão nos filmando sem nariz (cenas chocantes!!!).  Beijos mil ,Brasil!

Relatado por Nito Patela, um vagabundo que precisa treinar.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Bem-vindos a Larywood!

(enquanto isso no projeto Minha Vida Virou Palhaçada...)


A chuva finalmente deu uma trégua na cidade de Indaiachuva. Ou 'tuba', como preferirem.O sol veio para iluminar. E a ocasião pedia realmente LUZ, além da CAMÊRA e AÇÃO.


A visita deste domingo era mais especial, contávamos com a ilustre presença de Rony, um filmador ou seja lá qual for o nome de quem é profissional em filmagem, e ele nos acompanhou ao Lar Emmanuel para registrarmos algumas conversas entre nós, clowns, e nossos amigos de idade um pouco mais avançada.


Foram algumas conversas, olás e abraços, tudo sendo devidamente registrado pelas lentes de Rony, até avistarmos nossa entrevistada do dia: Dona Germana.



Mariáh, Fanhusa, Ravel, Thatá e Écolla foram os entrevistadores.Alguns sentados no chão, outros na cama, começamos a conversar com a esquecida, querida, confusa e simpática D. Germana que logo de cara foi reclamando que está ruim e há algum tempo não come.


Mas ela foi surpreendida, pois, alguns instantes antes, nós a flagramos comendo banana!


E essa foi só a primeira de muitas trocas e divertidas contradições de Dona Germana durante nossa prazerosa conversa que não irei contar em detalhes aqui, afinal, está tudo devidamente registrado e vai ser bem melhor ouvir(e ver) a própria Germana contando suas divertidas, confusas e [i]reais histórias.


Aguardem o primeiro vídeo do MVVP que estará disponível nos melhores vídeo-arquivos do seu computador!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O clown não representa, ele é!


  O clown é a exposição do ridículo e das fraquezas de cada um. Logo, ele é um tipo pessoal e único. Uma pessoa pode ter tendências para o clown branco ou o clown augusto, dependendo de sua personalidade. 
  O clown não representa, ele é - o que faz lembrar os bobos e os bufões da Idade Média. Não se trata de um personagem, ou seja, uma entidade externa a nós, mas da ampliação e dilatação dos aspectos ingênuos, puros e humanos portanto "estúpidos", de nosso próprio ser. 
  François Fratellini, membro de tradicional família de clowns europeus, dizia: "No teatro os comediantes fazem de conta. Nós, os clowns, fazemos as coisas de verdade."
Luís Otávio BURNIER

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

...Sorrir...

“Tenho a impressão de que os homens estão a perder o dom de rir.”  

                                                                Charles Chaplin






segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Um passarinho azul me contou...

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