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terça-feira, 18 de junho de 2013

Os 10 mandamentos do PALHAÇO

Por: Payaso Chacovachi


LOS DIEZ MANDAMIENTOS DEL PAYASO 

ojala les haga provecho y se trasforme en un erupto que se escuche en muchas plazas de 

este mundo

1-Se la exajeracion y no la caricatura de tu persona 

2-Nunca te enojaras con el publico ( no conviene )

3-Cuando estas en pista seras el centro del universo

4-nunca dudaras de tu material en escena

5-Ante el fracaso usaras la frase me chupa un huevo (y trataras de mejorar)

6-Nunca usaras material de otro payaso que trabaje en el mismo lugar/ plaza / ciudad

7-Estaras convecido de que si no es hoy será la próxima vez , pero encontraras el 

sentimiento que estas buscando

8-No rechazaras ningún desafio

9-Le estaras agradecido toda la vida a los que te han inspirado

Aunque no te caigan bien

10-Seras politicamente incorrecto


Tradução? Vá pro Google! Ou Bing. 

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Poltrona, o que é clown?


Afinal, o que é clown? O que é palhaço? Tentando responder essa pergunta pertinente que nunca tem resposta achei uma interessante definação do grande palhaço Tortell Poltrona, fundador do "Payasos Sin Fronteras" (Palhaços sem fronteiras) e criador do Circ Cric.

A pergunta feita a ele foi: O que é clown?

Eis a resposta de Poltrona:

Um provocador de sensações e sentimentos.

Um poeta da arte da poesia cênica.

O palhaço é aquele que busca momentos de imortalidade. É como uma criança que não sabe o que é a morte.

O palhaço é como uma criança que não tem vergonha de expressar seus sentimentos. Quando você se torna adulto, você começa a mentir e seu palhaço natural morre.

Clown X Comediante: O palhaço usa um vocabulário de sentimentos puros. O comediante trabalha com a realidade do sexo, da religião, da política...

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Lambreta e Mereceu sobre palhaço e a rua


Lambreta (Gerson Bernardes) e Mereceu (Alexandre Simioni) são dois palhaços do Paraná que já estiverem pelas bandas Indaiatubanas. Em uma reportagem do Jornal de Londrina no ano passado eles, falaram um pouco sobre a arte do palhaço e sobre teatro de rua. Antes de colocar os trechos mais interessante da reportagem, tenho (o que vos fala, Marcus V. Mazieri) que falar um pouco com o coração. Tive o prazer e honra de ter aula com o grande Ale Simioni em duas ocasiões, em duas oficinas que ele veio ministrar aqui em Indaiatuba nos anos de 2009 e 2010. De quebra ainda pude vê-los em ação aqui na praça da cidade. Foi uma experiência incrível que me marcou  e me influenciou muito na construção do meu palhaço. Mas chega de lenga lenga, vamos logo a reportagem:

“Não fui eu quem escolhi ser palhaço. Foi o palhaço quem me escolheu”, declara Alexandre Simioni, que começou a pensar no assunto no início da década de 1990. Na ocasião, ele participou de uma oficina promovida pelo Plantão Sorriso com o palhaço Gabriel Guimard. “A partir daí me apaixonei pela linguagem, fiz mais oficinas e estudei sobre o palhaço”, diz. Algum tempo depois, Simioni coordenou, durante uns oito anos, do Doutor Palhaço, projeto do Sesc que desenvolve trabalho voluntário em comunidades carentes e hospitais.


Depois que o projeto terminou, Simioni resolveu encarnar o palhaço Mereceu e montar dupla com o amigo Gerson Bernardes, o Lambreta, que também atuou no Doutor Palhaço. Das comunidades e hospitais, os dois foram às ruas. “É um espaço democrático, pois há relação com todo o tipo de público. Tem que fisgar e manter o público”, diz Simioni. Para Bernardes, a rua dá a certeza ao ator de quem realmente está interessado no espetáculo. “Na rua a gente pode ver quem realmente escolhe nos ver”, diz Bernardes.


A história de Bernardes com a linguagem do palhaço começou cedo, por volta dos 14 anos. “Eu já era ator e comecei a trabalhar em animação de festas”, lembra. O que lhe chama a atenção nesse tipo de trabalho é a crítica que se pode fazer. “É uma arte questionadora, acima de tudo. Questiona hierarquia, ordens, pontos de vista”, ressalta. Até agora, o único espetáculo dos dois, que montaram a dupla em 2009, é o que será apresentado amanhã. Qual a graça de Laurinda? ganhou, no ano passado, o prêmio Carequinha, da Funarte, e circulou em dez cidades do Paraná.


Houve um dia em que Lambreta e Mereceu estavam se apresentando pelas ruas de Paranavaí, no noroeste do Paraná, quando precisaram improvisar. “Tinha uma mulher que, tudo o que a gente fazia, ela gritava e falava alto. Estava bêbada e queria chamar a atenção”, lembra Simioni. “Fomos até lá, abraçamos a mulher, incluímos ela no espetáculo. E ela ficou mais tranquila”, completa. Fazer espetáculo em rua é assim, tem que lidar com improvisos. “A gente tem que estar pronto para qualquer coisa”, diz.


Às vezes aparece um cachorro para assistir, e é preciso interagir com o animal. “O legal de ser palhaço é que, mesmo com roteiro, a gente lida muito com o improviso”, observa. Ou então, frequentemente os palhaços precisam enfrentar a chuva. “Já tivemos problemas com a chuva. Já aconteceu da gente ter que esperar. Então a chuva acalma e a gente monta tudo e, quando vai começar, volta a chover.”


Você pode ver a reportagem completa aqui. Acesse o blog do Triolé Cultural pra saber mais sobre eles. 

terça-feira, 27 de março de 2012

Tamo junto, Piolin!


Hoje, 27 de março, é comemorado o Dia Internacional do Teatro, devido a data da inauguração do Teatro das Nações, em Paris. Mas, por uma coincidência incrível, esse dia também é comemorado o Dia do Circo, e por um motivo muitíssimo especial. Foi nesse dia, em 1897, que nasceu Abelardo Pinto, o mestre dos mestres, o Palhaço Piolin. Tá, pra falar a verdade, nunca pude vê-lo em ação, já que Piolin morreu em 4 de setembro de 1973 (de insuficiência cardíaca, engasgado com uma bala!!! isso sim é uma morte digna de um palhaço!) e só fui nascer em 1989. Mas isso me impede de acreditar no que dizem e reconhecer a importância de Piolin na história do palhaço e do circo brasileiro. Não vou ficar aqui repetindo a incrível história deste palhaço, tem algumas fontes legais pra isso (aqui e aqui), mas precisava deixar registrado aqui que o Gandaiá inspira as mesmas partículas expiradas por esse grande mestre, e que mesmo que os palhaços morram todos engasgados com balas adocicadas, sempre haverão outros palhaços para seguir esta nobre função. Esperamos poder representar um pouquinho desta incrível arte, seguindo os passos desses mestres. Por isso que digo: tamo junto, Piolin! É essa minha magrela homenagem. Enquanto houverem palhaços, viveremos. 

terça-feira, 20 de março de 2012

Entrevista com Ésio Magalhães


No dia 09 de setembro de 2010 (faz tempinho já), Ésio Magalhães, multi-artista co-fundador do Barracão Teatro, participou de um bate-papo online no Portal da SP Escola de Teatro. É claro que o assunto seria o palhaço, já que Zabobrim (o palhaço do Ésio, se assim poderíamos dizer) é referência no ramo. O tema era, especificamente, "A Linguagem do Palhaço: Palhaço Comunica– ação", pois para ele "é assim que o palhaço comunica: pelas ações que realiza". Selecionamos aqui os trechos mais importantes em que se fala um pouco do que é o palhaço hoje, das suas possíveis atuações no mundo (inclusive no hospital) e dos grandes mestres palhaços. O papo na íntegra você pode ver aqui.

Ésio, como você o espaço para clowns tipo Chaplin no Brasil? É que eu busco um palhaço que se aproxima demais a ele, Carlitos. Mas não quero imitá-lo (até porque é impossível).
  O Chaplin viveu o Carlitos, o seu palhaço. Não entendo que ele tenha esgotado o palhaço, mas sem dúvida quando Chaplin morre, o Carlitos também se vai. Sobre ter espaço para este tipo de palhaço no Brasil, eu acho que existe sim o espaço para o palhaço. Sempre! O que deve ser encontrado é o público ao qual ele se destina.
  Acho que o palhaço só imita o outro para começar sua trajetória, mas quando se faz de fato, não consegue mais seguir imitando. É como aprender a andar... Vamos pela imitação dando os primeiros passos e depois caminhamos como e por onde queremos, entende?

Como é, ou como deve ser o trabalho de ator para o palhaço “doutor da alegria”, já que o mesmo estará lidando com uma platéia intimista portadora de necessidades físicas visíveis?
  Bem, antes de mais anda deixe-me esclarecer que Doutores da Alegria é o nome de um grupo de artistas, uma organização que leva o trabalho do palhaço para o hospital. Não é que o trabalho de palhaço em hospital se chame “Doutores da Alegria”. Eu mesmo orientei outros grupos que fazem esta atividade em outros lugares e com outros nomes. Enfim, sobre o trabalho do palhaço no hospital, a sua formação deve ser de artista e ele deve redimensionar o seu trabalho para o hospital. Conheço palhaços que trabalham muito bem na rua e que nãos e dão bem com o hospital, mas não porque lhes falte técnica, e sim porque não conseguem dentro do hospital se sentir bem pra trabalhar. Então, o que eu penso que seja fundamental é que o palhaço que se interesse em trabalhar no hospital esteja ciente que vai encontrar pessoas em tratamento. Pessoas que estão sob cuidados e que tem limites, mas tem muitas possibilidades que podem e devem ser exploradas.

Caro Ésio, estava a ler um artigo publicado na revista Anjos do Picadeiro 7 da Adriana Schneider Alcure onde ela problematiza um crer que o “palhaço é o possível guru do século XXI”, acho uma provocação bem pertinente para discutirmos os rumos que vem tomando a palhaçaria contemporânea. Poderia comentar um pouco sobre a palhaçaria atuante?
  Respeito muito e gosto mesmo da Adriana. E também da sua produção, mas não consigo concordar com a idéia do palhaço ser um guru. Porque pra mim o palhaço é um perdedor que segue tentando. É um apaixonado pela vida!Ele quer continuar tentando sempre, não se deixa fracassar. Embora o mundo todo diga a ele que é um derrotado, ele não veste esta camisa e segue tentando. Então, se você me diz que esta visão pode ser usada como uma saída para o nosso mundo, eu concordo! Mas esta é uma leitura do público e não do próprio palhaço. O palhaço não é um líder, como foi Che ou Ghandi. Ele é o vagabundo, o perdedor que nos mostra que nós, humanos, somo imperfeitos. Se somos a imagem e semelhança de Deus, então a imperfeição está nele também. Pra mim o palhaço não é guru, ele é quem tenta e não consegue, mas continua tentando. Não creio que palhaços em hospitais sejam salvadores! Nem os médicos o são. Por que o palhaço seria? Esta visão é da sociedade que diz “que lindo trabalho! Eu nuca faria...”. Mas não é o palhaço um salvador. Ele pode até salvar, mas sem querer, sem esta intenção!

Ésio, como você vê a relação do palhaço com o improviso.
  A relação é muito grande, no meu ponto de vista, pois o palhaço é uma máscara que joga o tempo todo no presente. Então, ele, assim como nós estamos improvisando o tempo todo os nossos encontros. Como este, agora, no chat. Não é que eu tenha lido o script antes e tenha decorado as respostas. Estou reagindo, respondendo às perguntas. O palhaço é a mesma coisa! Ele chega, percebe como o público está e joga com ele. É muito importante que o palhaço, mesmo que não trabalhe diretamente com a improvisação, em suas rotinas, tenha abertura para improvisar, pois é isso que o faz vivo no tempo restante. Mas no caso do palhaço a improvisação não é um fim, mas um meio, um recurso.

Ésio, qual a potência do humor clownesco no diálogo com as questões da sociedade? O que ele tem de peculiar?
  A potência é muito grande! Acho que o riso “é o mais inocente dos assassinos”, como diria um filósofo que não lembro mais o nome. O riso pode criticar nossa maneira de viver, nossos costumes, nossas idéias e crenças. Acho que o riso abre um espaço muito grande para falarmos de questões sérias. Até porque o palhaço quando apanha e causa riso na platéia não está se divertindo! Ele está apanhando! Isto não é bom pra ele, mas é através disso que vemos nossa própria violência. Acho que esta é a peculiaridade do trabalho do palhaço, e aí falo do riso, para tocar questões importantes de nossa existência. Sem o peso da culpa, mas com a idéia de refletir.Como um espelho!

Gostaria de saber se achas que o palhaço é também um modo de vida. O que mudou quando você decidiu ser palhaço?
  Eu acho que palhaço é sim um modo de vida. Eu ganho a minha assim, trabalhando como palhaço. Não simpatizo muito com a idéia de que palhaço seja uma filosofia de vida, pois o palhaço tem muitos problemas! Eu por exemplo, quando comecei a perder os meus cabelos sofri muito. Queria ser um galã! Já não tinha crescido muito e ainda seria careca? Que sorte, hein? Pra mim, viver o palhaço, assistir a bons palhaços me mostra me faz querer viver num mundo mais compreensivo, mais tolerante, mas não acho mesmo que o palhaço seria uma filosofia de vida, um caminho a seguir, uma luz no fim do túnel! Não acho que palhaço seja religião. Até porque tem igreja que ganha muito mais do que os palhaços!

Existem regras para ser um bom palhaço?
  A única regra básica que sigo desde a minha iniciação é que palhaço não tem regra! Não tem regra mesmo! Você vai ver palhaço de nariz, sem nariz, de sapatão, de sapatinho, um mais eloqüente, outro mais quietinho, um espalhafatoso, outro introspectivo. O palhaço tem que ser bom! Encantar a platéia! Quando isto acontece é ele quem dita as regras. Pelo menos na interação na qual ele está trabalhando.

Quais suas maiores inspirações e referências “palhacísticas” e “clownescas”?
  Minhas referências primeiras são meus domingos a noite na minha infância, quando assistíamos aos trapalhões. Outra referência boa é Jerry Lewis, nas “sessão da tarde”. Tudo isto é minha infância. Depois que comecei a trabalhar procurei outras como Chaplin, Gordo e Magro, palhaços de circo, sempre foram minhas referências maiores. Depois conheci outros grandes palhaços que me deram grandes contribuições! Gosto muito do jogo de corpo do Buster Keaton, por exemplo!

O que você acha dessa nova onda do “humor de cara limpa”, o famoso Stand up?    
  Pra mim tem os bons e os péssimos. Não sou muito simpático ao humor que acentua os preconceitos e não gosto do humor que ridiculariza o outro. Pra mim palhaço é na primeira pessoa. Eu-palhaço.  Eu ridículo. O Stand up em alguns casos é bom, com bons humoristas e piadas. Gostava de Juca Chaves e Ari Toledo. Bem, voltando ao Stand up, tem uns que são bons e outros que só reforçam a banalidade e a futilidade!

Tem muita gente que ainda acredita que o palhaço é um personagem, mas eu não acredito nisso. Costumo dizer que o palhaço é você sem a máscara que a sociedade te impõe. Seria ele um escape da vida real, ou ele seria a vida real?
  Eu acho que o palhaço é palhaço, ridículo, pois está inserido na vida real. Mesmo que em fantasia. A vida real é o seu meio. Então não consigo vê-lo como válvula de escape, pois da vida ninguém escapa – a não ser quando morre! O palhaço sofre as conseqüências da vida real e isto o faz ridículo. Costumo dizer que se todos fossem palhaços, o ridículo seria o único a não ser, entende? Se todos são palhaços, não temos o parâmetro para o riso. O riso precisa ser sério para se fazer. É preciso o centro para se ter o excêntrico.

Não vejo o palhaço como uma solução dos problemas, salvador dos fracos e dos oprimidos, mas sim como algo que acrescenta, encoraja, nos coloca em contato com as próprias fragilidades e é justamente isso, o contato, a aceitação, que faz com que busquemos as soluções.
  Eu também vejo desta forma. Ver nossa fragilidade é muito importante, pois ela faz parte de nós! O palhaço é esta figura que nos mostra quão frágeis somos e é bom ver ali, na nossa frente, pois assim, de certa forma, entendemos que somos imperfeitos.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Poema de Palhaço

Eu quero explicar a vocês
O que é ser um palhaço
O que é ser o que eu sou
E fazer isso o que eu faço

Ser palhaço é saber distribuir
Alegria e bom humor
E com esforço contentar
O público espectador

Muita gente diz “Palhaço”
Quando quer xingar alguém
E esse nome pronunciam
Com escárnio e desdém

E ao ouvir esta palavra
Outros sentem até pavor
Como se palhaço fosse
Criatura inferior

Mas de uma coisa fiquem certos
Para ser um bom palhaço
É preciso alma forte
E também nervos de aço

E além de tudo é preciso
ter um grande coração
para sentir isso o que eu sinto
grande amor à profissão

O Palhaço também tem
Suas noites de vigília
Pois lá na sua barraca
Ele tem a sua família

Palhaço, meus amigos,
Não é nenhum repelente
Palhaço não é bicho
Palhaço também é gente

Falo isso em meu nome
E em nome de outros palhaços
Que muitas vezes trabalham
Com a alma em pedaços

Ser palhaço
É saber disfarçar a própria dor
É saber sempre esconder
Que também é sofredor

Porque se o palhaço está sofrendo
Ninguém deve perceber
Pois o Palhaço nem tem
O direito de sofrer

Roger Avanzi (Palhaço Picolino) 


terça-feira, 13 de março de 2012

Entrevista com Gardi Hutter


Devido a quantidade de prêmios que ganhou com seus espetáculos em todo o mundo (já foram quase três mil apresentações em quatro continentes), a suiça Gardi Hutter é considerada a melhor palhaça do mundo. Quando veio ao Brasil, em 2009, apresentar o espetáculo Souffleuse, que pode ser traduzido como "O ponto", ela concedeu uma entrevista à Deutsche Welle. Na entrevista Hutter fala sobre sua história no teatro, em como é ser palhaça em um mundo dominado por homens (inclusive ela conclama as mulheres para serem palhaças!) e também, é claro, sobre seu trabalho e a peça. 

Por que você se tornou palhaça?
  Eu frequentei uma escola clássica de artes cênicas em Zurique e, desde o princípio, notei que tinha um talento para o cômico e também que, em toda a literatura teatral, seja ela clássica ou moderna, simplesmente não existiam papéis cômicos para mulheres jovens.
  E o palhaço sempre me fascinou. Ele é a liberdade em pessoa. A ele, tudo é permitido. Ele pode ser mau, pode ser antipático. Ele é motivo de risos, de aplausos e, por isso, ele é querido.

Você tem vantagens por ser uma palhaça mulher?
  A desvantagem foi que eu não tinha exemplo nenhum a seguir. Não havia referências. Claro que Charlie Chaplin e Buster Keaton são exemplos. Mas era como se a forma feminina da comédia não existisse. Eu não sabia se o motivo era biológico ou sociológico. Essa situação me revoltava e, por outro lado, me dava a energia necessária para aguentar alguns anos até que a peça estivesse pronta.
  Quando ela ficou pronta, eu só tive vantagens como mulher, porque é raro, porque é novo, porque em festivais de comédia há 18 homens e talvez duas mulheres. A imprensa reagiu com grande interesse. Passei então a ter vantagens por ser raridade.

Na sua peça Joana d'ArPpo, você faz o papel de uma lavadeira que luta contra inimigos fictícios em sua lavanderia. Até que ponto essa é uma peça feminista?
  Diz-se que o palhaço não tem sexo. E não tem mesmo, mas até agora ele era só masculino. O palhaço funciona através do exagero. Ele é tão trágico que se torna cômico. Para mim, era importante que também se pudesse rir de uma mulher.
  Eu sou uma mulher autônoma, com uma empresa, mas minhas peças não são ideológicas. Acho que o palhaço rejeita qualquer tipo de ideologia. Quando eu conto uma história, é a lógica da história que me impulsiona, não a minha ideologia.
  Pode-se pensar que Joana d'ArPpo é uma peça feminista, mas em todas as histórias de palhaço, existem perdedores, pessoas em má situação, que estão à margem da sociedade, que passam fome, que são pobres. Charlie Chaplin, por exemplo, não faz o papel de um homem rico, feliz, mimado, mas de um mendigo. Mas, no caso dos homens, a ideologia não é questionada. No caso das mulheres, sim.

Existem diferentes tipos de palhaço. Charlie Chaplin é um deles. Como é o seu?
  Acho que esta diferença está na história que conto. Não por ser ideológica, mas por ser uma mulher, conto histórias do mundo feminino que até agora não foram apresentadas no palco. Onde já se viu uma lavadeira, uma secretária, uma Souffleuse e uma costureira, que será a próxima, em peças de palhaço?
  As histórias escritas até hoje são em sua maioria histórias masculinas, o material das histórias femininas ainda não foi revelado. E isso tampouco é ideológico. Ao se introduzir uma ideologia, o palhaço some. Como artista, procuro naturalmente um material que ainda não foi utilizado.

Você utiliza pouca linguagem e também pouca mímica, mas conta uma história em suas peças. Um palhaço precisa contar uma história? E o lugar dele é no circo?
  É um enorme engano achar que o palhaço pertence ao circo. No circo, há uma tradição de palhaço, mas ela é muito recente. Somente há 150 anos há palhaços em circos e, para muitas pessoas, palhaço e circo são a mesma coisa. Mas o palhaço é bem anterior ao circo. Já existiam na época dos gregos, dos romanos. O saltimbanco é um tipo de palhaço.
  No teatro, encontram-se palhaços nas peças de Shakespeare, na Commedia dell'arte. O arlequim é uma espécie de palhaço. A história do palhaço se confunde com a história da civilização. Nas grandes festas de inverno, quando os mortos vinham ao mundo dos vivos, já existiam figuras bufonescas. Em toda sociedade, tais figuras foram criadas para funcionar como uma espécie de válvula de escape. E elas aparecem muito antes no teatro do que no circo.

Em 2007, você recebeu o grande prêmio do Festival Internacional Fringe de Nova York, considerado o talvez mais importante festival de artes performáticas do mundo. Pode-se dizer que você é a melhor palhaça do planeta?
  A imprensa escreve isso sobre mim, mas eu não posso dizer isso, naturalmente. Mas eles escrevem pela falta, porque existem tão poucas palhaças. Há algumas, mas em todos os festivais nos encontramos. Então eu penso: Ah, nós cinco novamente. Eu conclamo todas as mulheres: escrevam suas peças! Eu quero concorrência.

Como é a nova peça que você leva agora ao Brasil?
  Para o Brasil, eu levo agora a Souffleuse (O ponto). Em comparação com a Joana, com a qual me apresentei quatro vezes no Brasil, O ponto é mais teatral. Antigamente, embora isso exista ainda hoje, havia no meio dos palcos do teatro uma cúpula e lá embaixo uma pessoa sussurrava o texto para atores que o esqueciam. Essa função era exercida, na maioria das vezes, por uma atriz mais velha e sem trabalho, que acabava assumindo o ponto do teatro.
  Ela conhece os atores pela voz e pelo cheiro do pé, porque ela sempre vê o mundo por baixo. Ela construiu uma boa vida embaixo do palco. Fez lá uma casinha, com livros, quadros, flores. O caminho para o trabalho não é longe e ela tem que se vestir bem só até a cintura, porque o resto não se vê.
  Mas o teatro vai fechar, porque um novo prédio foi construído e ela é então esquecida. Somente durante o decorrer do espetáculo, ela nota que está sozinha. É naturalmente uma situação triste. Isso é o que acontece hoje a muitas pessoas cujas profissões não são mais requisitadas ou foram demitidas. No caso da Souffleuse, é ainda pior. Ela é simplesmente esquecida e não pertence mais a lugar nenhum.
  No entanto, o espetáculo é engraçado. Eu atraio as pessoas através de seus verdadeiros medos e aflições. A situação da Souffleuse é muito pior do que a dos espectadores, mas eles riem dela a noite inteira. Isso é o que me fascina no palhaço – que ele possa fazer algo tão triste se tornar cômico.
  Acho que quando algo é somente engraçado, 15 minutos depois ele se torna monótono. Acredito que o que faz o público amar o palhaço é o fato de ele ser trágico. Sua história é ainda mais trágica que a história das pessoas na plateia. Ao rir do trágico, o público também se liberta dos seus medos.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Ah, as palhaças!

O Dia Internacional da Mulher já passou, foi (de novo) no dia 08 de março, mas eu parei pra pensar aqui e percebi uma coisa: seria esse também o dia certo pra se comemorar o Dia Internacional da Palhaça? Sem querer polemizar com essa questão de gênero, há quem diga que o clown é assexuado, e pode ser que tenha quem fale que palhaço é palhaço, seja homem ou mulher (igual esse lance de presidente, saca?). Segundo as normas na nossa amada língua portuguesa o termo "palhaça" existe sim, é o feminino de palhaço (ah vá!) e pode ser usado sem ferir a norma (o)culta.

Pesquisando pela internet a fora, encontra-se o espetáculo de rua "É das palhaças que elas gostam mais", do Grupo Nariz de Cogumelo, que tem no seu elenco 4 palhaças e que inclusive tem uma oficina dedicada a comicidade feminina específica das palhaças. Você pode conferir o trabalho sensacional desse grupo de Salvador no blog delas e aproveitar para ver belíssimas fotos de palhaças em ação. Outra palhaça com A maiúsculo é a famosa e incrível Gardi Hutter, que é considerada a palhaça número 1 do mundo (nem me pergunte a fonte disso) e diz que ser palhaça tem uma desvantagem: não ter exemplos nenhum a seguir (o grandes palhaços do passado, como Charlie Chaplin e Buster Keaton, sempre foram com "O") mas tem a vantagem de ser raro e novo, chamando a atenção do público. Com certeza vou deixar de lado vários nomes importantes devido a minha ignorância sobre o tema, mas, se você souber de mais palhaças referências contribua com essa postagem comentando abaixo.

Temos que reverenciar e aplaudir muito todas as palhaças do mundo, que cada vez mais fazem do palhaço uma arte aberta a tudo e a todas. Minha admiração por estes seres únicos (as palhaças, é claro) é infinita, o bem que  fazem para nossos órgãos dos sentidos é incalculável. Se um dia quiserem me elogiar como artista, me chamem de palhaça! Aproveitando o momento faço dessa postagem uma homenagem especial a todas as palhaças gandaieiras, que fazem do Gandaiá um grupo mais belo, mais leve, mais forte, mais organizado e mais intenso. Seguem as belezuras:

Carlota (Bruna Biasi)

Mariah Stropetta (Camila)

Shambalaju (Julia Chagas)

Olivia Palmito (Andréia Domingos)

 Fanhusa (Ana Lopes)

Thakabum (Mayra Cavalli)

Sofi (Giovanna Melanie)

Mary Poppins (Rafaele Paiva)

Thatá (Kamilla Silva)

 Tia elefanta (Mônica Ambiel)

(singela homenagem feita por Nito Patela, ou Marcus Mazieri)

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O clown não representa, ele é!


  O clown é a exposição do ridículo e das fraquezas de cada um. Logo, ele é um tipo pessoal e único. Uma pessoa pode ter tendências para o clown branco ou o clown augusto, dependendo de sua personalidade. 
  O clown não representa, ele é - o que faz lembrar os bobos e os bufões da Idade Média. Não se trata de um personagem, ou seja, uma entidade externa a nós, mas da ampliação e dilatação dos aspectos ingênuos, puros e humanos portanto "estúpidos", de nosso próprio ser. 
  François Fratellini, membro de tradicional família de clowns europeus, dizia: "No teatro os comediantes fazem de conta. Nós, os clowns, fazemos as coisas de verdade."
Luís Otávio BURNIER

domingo, 9 de outubro de 2011

Kesslers Knigge e suas possibilidades...

no banheiro:

como ginecologista: 

na lan house:

no drive-thru:

na igreja: 

no velório:

no teatro:

no cinema:

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Palavras do Comendador (Nando Bolognesi)


Quem nunca ficou numa “sinuca de bico”? Dessas que o tempo para e a gente não vislumbra saída possível? Ficamos pasmos diante da situação, sem ação, sem palavras e pior, sem graça.

Em meu trabalho como um Doutor da Alegria, passei por algumas situações dessas.

O Dr. Comendador – esse é o nome de meu palhaço - e a Dra. Bifi (nos Doutores da Alegria os palhaços se apresentam como médicos besteirologistas, por isso o título de Dr) entraram num quarto onde estavam quatro crianças de mais ou menos sete ou oito anos. O quadro era bem ameno. Pelo menos à primeira vista era; nenhuma deformidade, nada de tubos pelo nariz nem criança careca, tampouco mãe chorando ou avó dormindo. Ótimo!

Nem me lembro como começamos a interação. Nosso trabalho é todo improvisado. Só sei que a coisa toda estava bem solta, divertida, com as crianças participando ativamente, dando ordens aos palhaços, tomando partido ora de um ora de outro. A certa altura a Dra. Bifi até jogou malabares dentro do quarto.

Aquele quarto estava sereno como um céu de brigadeiro.

Aí então o Dr. Comendador fez uma mágica e a Dra. Bifi desapareceu.

- A Dra. Bifi sumiu! Gente do céu... Ela desapareceu! E agora? Ela me abandonou, sumiu do mapa! Deixou-me sozinho! E agora como faço sem ela aqui comigo?

Comecei a procurar minha parceira embaixo da cama, atrás da porta, debaixo dos lençois das crianças e nada da palhaça aparecer. Sentei-me cenicamente desolado. Cotovelos apoiados nos joelhos e queixo repousado na palma das mãos. De lá onde estava, meu olhar cruzou o de uma das quatro meninas do quarto. Estabeleceu-se uma conexão especial. Tudo o mais deixou de existir, éramos nós dois e nada mais. Isso durou um fiapo de tempo, o suficiente para a garota sentir-se à vontade para contar-me um pouco sobre sua história:

 - Minha mãe morreu.

Foi seca, sem melancolia ou qualquer pesar aparente, só uma constatação: “Minha mãe morreu”. As quatro meninas permaneceram mudas olhando para mim. Parecia que esperavam para ver qual solução o palhaço daria para aquela questão. Afinal, palhaços são tão criativos.

Compreendi o paralelo que a garota estabeleceu entre a morte da mãe e o sumiço da palhaça. Ôpa! Bola fora. A garota parecia tão bem antes da nossa chegada. Perdi o rebolado. Fiquei desconcertado. E as meninas esperando qualquer atitude minha. E eu sem atitude nenhuma.

O desaparecimento da Dra. Bifi era uma mágica, na verdade uma farsa. Por sua vez, a morte da mãe tinha a crueza da vida. O Comendador poderia, como um Deus, encerrar o sumiço da parceira a qualquer momento, já no caso da morte da mãe...

Fiquei com cara de palerma. O que fazer numa situação destas? Algumas alternativas me ocorreram: Fazer-me de besta e fingir que não escutei o que ela revelou? Chorar abraçado junto com a criança? Inventar uma estória sensacional e poética sobre os desaparecimentos da mãe e da Dra. Bifi e acabar a cena com uma mensagem de otimismo? Trazer a Dra. Bifi de volta, mas confessar-me incapaz de fazer o mesmo com sua mãe? Ou perguntar quem mais havia perdido a mãe e fundar um clube dos órfãos alegres? Por um segundo, que para mim pareceu ter durado um ano, permaneci besta. Sem ação.

O palhaço Comendador estava numa autêntica sinuca de bico! Diante do fato consumado melei o jogo:

- Tudo bem, tá bom. Mas a Dra. Bifi sumiu! Vocês não me entendem? Ela sumiu! Eu preciso procurar por ela. Não deve estar longe. Se vocês a virem por aí, me chamem. Vou atrás dela! Até logo.

Disse isso, e saí correndo do quarto. Foi o melhor que consegui.

A Dra. Bifi deixou o banheiro onde se escondera a fim de forjar o seu desaparecimento mágico e seguiu meus passos:

- Não contem que eu estou aqui. Vou correr atrás dele e pregar-lhe uma peça. Aquele palhaço é mesmo muito burro! Ele nem percebeu que eu não tinha sumido coisa nenhuma. Na verdade estava escondida nesse banheiro. Ei, Comendador, onde você vai seu palerma? Volte aqui!

As crianças do quarto da menina órfã gostaram da saída dos palhaços. Sabíamos disso por experiência. Depois de algum tempo aprendemos a usar alguns trunfos que nos salvam de situações como aquela. Gags clássicas não costumam falhar. Tropeções, encontrões com as portas, rivalidade entre os palhaços são procedimentos certeiros. Verdadeiros botes salva-vidas. No caso: bote salva-palhaços.

Encontramos-nos no corredor, logo ali adiante. Não dissemos nada um ao outro. Não precisava. Afinal já estava tudo dito. Demos uma respirada e retomamos o trabalho. Outro quarto, outras crianças, novas situações, mais encontros, outros possíveis embaraços.

Nosso único consolo era saber que ninguém pode escapar de uma sinuca de bico. Quem joga bilhar sabe disso.

(crônica "Dr. da Alegria numa sinuca de bico", de Nando Bolognesi, disponível no site itu.com.br)

sábado, 12 de março de 2011

Patch Adams sobre a PAZ

Eu imagino como seria a vida se conseguíssemos a paz mundial. É a unica coisa mencionada aqui que ninguém jamais experimentou. Exige um acordo entre todas as pessoas de que não irão se agredir. Cada um de nós pode tentar viver de forma pacífica no seu cotidiano. Ao nos relacionarmos intencionalmente de maneira positiva com os outros, podemos aumentar as possibilidades de paz. Sei por experiência que pessoas pacíficas criam um ambiente mais pacífico. É por isso que adoro atuar como palhaço, porque isso transforma o ambiente. Crianças bem pequenas têm o poder de causar o mesmo efeito.   


A paz mundial começa dentro de cada um de nós. Possuir paz interior diminui sua pressão arterial e sua tensão. Também ajuda a diminuir o nível de tensão e a pressão arterial das pessoas a sua volta. 


Quando encontramos a paz, experimentamos um estado mais criativo, cooperativo e dinâmico que irá melhorar nossa saúde. Todos nós teremos que trabalhar em conjunto para alcançarmos a paz. Portanto, cada um pode participar e investir para atingir esse importante objetivo. 


Retirado do livro 'O amor é contagioso", de Patch Adams.

domingo, 6 de março de 2011

Palhaços pela própria natureza (Cláudio Thebas)



Todo mundo nasce palhaço. Sem exceção. Basta observar as crianças pequenas para perceber que elas têm todas as qualidades que um bom palhaço deve ter: são atrapalhadas, sinceras, espontâneas e, por tudo isso, muito engraçadas. Elas não tem o menor medo do ridículo, até porque não fazem idéia do que seja isso.


Infelizmente, com o passar do tempo, de tanto ouvir "que feio", "que ridículo", "que isso", "que aquilo", o palhaço que nasceu com cada criança (isto é, com todos nós) começa a sentir medo, vergonha e decide se esconder. E vai se escondendo, se escondendo... até que um dia some dentro da gente. (De vez em quando ele aparece por conta própria. Na hora do banho, por exemplo, quando a gente canta e dança sem ninguém ver. Mas é fechar a torneira e - zupt! - ele some de novo.)


Quando uma pessoa decide ter essa profissão, tem que aprender a reencontrar, sempre que quiser, o palhaço que estava escondido. E isso não é fácil, porque o tempo passou, o palhaço lá dentro também cresceu, e agora não se sabe quase nada sobre ele. Só com muito trabalho, muita pesquisa de si mesmo é que se pode ir descobrindo como é que ele anda, fala, gesticula e pensa.  

(...) mais no livro

Retirado de "O livro do Palhaço", de Cláudio Thebas.

terça-feira, 1 de março de 2011

O Clown!


A palavra clown (pronuncia-se “cláun”) apareceu no século XVI. Este vocábulo remete-nos a colonuns e clod, significando um fazendeiro ou rústico, torpe e, de qualquer maneira, o clown foi sempre campesino (TOWSEN, 1976). Outra origem é na língua celta, designando originalmente um fazendeiro, um campônio, visto pelas pessoas da cidade como um indivíduo desajeitado e engraçado, indicando, num outro momento, aquele que, com artificiosa torpeza, faz o público rir.

Clown se traduz por palhaço, mas as duas palavras têm origens diferentes. Palhaço vem do italiano e se relaciona, geralmente, à feira e à praça; já o clown refere-se ao palco e ao circo. Mas, na linguagem do espetáculo, as duas palavras confluem em essências cômicas.

Os grandes clowns tradicionais do cinema tais como Mazzaropi, Chaplin, Keaton, Tati, Langdon, The Marx Brothers, Harold Lloyd, Jerry Lewis, Martin and Lewis, Woody Allen, Laurel and Hardy, Abbott and Costello e Andy Kaufman, entre outros maravilhosos nos foram apresentados em algum momento de nossas vidas.

De alguma forma, essas manifestações estão em contato conosco no cotidiano: pessoas engraçadas que encontramos na rua, no ônibus, no aeroporto, na família, no meio de amigos ou nos meios artísticos. Esse contato basta para identificar os “clowns na vida”, como disse Fellini (1985).

Clown é a pessoa que fracassa (LECOQ, 2001), que bagunça sua vez, e, fazendo isso, dá à audiência o senso de superioridade. Através de seu fracasso, ele revela sua profunda natureza humana, que nos comove e nos faz rir, é um perdedor feliz (CASTRO).

Referências Bibliográficas

LECOQ, J. The moving body. The teaching creative theatre. Translated from Le corps Poétique by David Bradby. A theatre Arts Book. Routledge.New York, 2001.169p.
FELLINI, F. Fellini por Fellini.s .ed. Entrevista de Govanni Grazzinni. Lisboa: Dom Quixote, 1985. 143p
TOWSEN, John.H. Clowns.Hawtorn, New York,1976.400p.
WUO, A. E. Caderno de notas do Curso de Clown: Arte da Bobagem, ministrado por Angela de Castro, João Pessoa, Paraíba, 2001. 
WUO, A. E. Verbete: Clown. p. 40 a 44. Dicionário crítico de Lazer. Org. Christianne Luce Gomes. São Paulo: Autêntica, 2004. p 238.

http://clownelinguagem.blogspot.com/2011/01/clown.html

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Os Princípios do Palhaço, por Avner.

1- A função do palhaço é a de fazer público sentir emoções e respirar.
2- Todos inspiram, mas muitos de nós devem ser lembrados de expirar.
3- A imaginação e o cérebro estão conectados ao corpo e o afetam. Qualquer alteração na mente provoca uma mudança no corpo. Qualquer alteração no corpo, na respiração primeiramente, causa uma mudança correspondente na mente.
4- Não diga ou mostre ao público o que pensar, fazer ou sentir.
5- Não diga ou mostre aos seus parceiros o que pensar, fazer ou sentir. Não aponte.
6- O peso pertence ao lado debaixo. Mantenha um único ponto na parte inferior do abdômen. Mantenha sua energia fluindo.
7- A tensão é sua inimiga. Ela produz dormência emocional, mental e física.
8- O que você pensa a respeito da sua performance é o que conta, não se ela é realmente boa ou ruim.
9- O palhaço descobre a platéia que está sentada, olhando para um espaço vazio e esperando por um show. Deve-se lidar com isso estabelecendo-se cumplicidade com o público.
10- O palhaço cria um mundo no espaço vazio, ao invés de entrar num mundo que já existe (esquete).
11- Usar mímica para criar fantasia, não para recriar a realidade.
12- O palhaço procura criar um jogo e definir as regras, as quais a partir de então deverão ser obedecidas.
13- Não peça ou diga ao público como se sentir ou pensar. Tenha uma experiência emocional e convide o público a se juntar à sua reação.
14- É essencial ser interessado, não interessante.
15- Você tem que respirar durante toda a sua vida, mesmo no palco.
16- O palhaço entra no palco para fazer um trabalho, não para provocar risos. Se houver risos, eles serão interrupções com as quais deverá lidar.

©2005 Avner Eisenberg

Retirado do blog da Driely Alves.
Foto por Bruna Perina.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O clown é o mais nu de todos os artistas. (Dimitri)

"Um dos meus "truques" é sorrir freqüentemente porque eu gostaria de transmitir isso: quero tanto, aliás, que, afinal, não é um truque! Quando, em um país em que ninguém me conhece, num botequim, chego a fazer rir não importa quem, uma pessoa, uma só - ou uma criança - fico todo feliz: tenho a impressão que realmente fiz alguma coisa, que consegui construir uma ponte com os outros. Atrás de meu sorriso, há essa vontade. Há muita vontade - nunca o bastante - e uma grande concentração. Sobre este ponto, estou longe, ai!, de igualar um iogue ou um monge zen, mas sou bastante auxiliado pela crença que inculcou-me minha mãe em um mundo onde as forças espirituais são, com toda a naturalidade, as mais influentes.

Cada um tem sua pequena filosofia... A minha é não poder conceber meu trabalho senão como um clown honesto e verdadeiro: sua atitude e seu caráter transmitem-se através de sua arte, portanto é interessante tentar mostrar-se humano, gentil, com humor. Minha vida, meu ofício, tudo está no mesmo saco! Eu não represento um papel: estou nu; o clown é o mais nu de todos os artistas porque põe em jogo a si mesmo, sem poder trapacear. Para não decepcionar o público, ele tem o dever de ser autêntico, de ter a impressão de estar sempre oferecendo muito pouco. É meu ideal de clown. Um ideal que vocês podem notar em outras pessoas que têm ofícios bem obscuros: pessoas honestas, boas, trabalhadoras. Elas tentam cumprir sua tarefa humildemente: são personalidades tão grandes quanto os mais célebres artistas do mundo.

Além do mais, para mim - um pouco à maneira desse santo que dizia: "Ama a Deus e faze o que quiseres" - é isto: "Sê engraçado, e faze o que quiseres." Sê engraçado!!!"

In "Clowns & Farceurs", Ed. Bordas, Paris, 1982, p. 36-37. Tradução de Roberto Mallet.
Retirado do site do Grupo Tempo.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O clown (Luís Otávio Burnier)

"Segundo Roberto Ruiz, a palavra clown vem de clod, que se liga, etimologicamente, ao termo inglês "camponês" e ao seu meio rústico, a terra. Por outro lado, palhaço vem do italiano paglia (palha), material usado no revestimento de colchões, porque a primitiva roupa desse cômico era feita do mesmo pano dos colchões: um tecido grosso e listrado, e afofada nas partes mais salientes do corpo, fazendo de quem a vestia um verdadeiro "colchão" ambulante, protegendo-o das constantes quedas.

Na verdade palhaço e clown são termos distintos para se designar a mesma coisa. Existem, sim, diferenças quanto às linhas de trabalho. Como, por exemplo, os palhaços (ou clowns) americanos, que dão mais valor à gag, ao número, à idéia; para eles, o que o clown vai fazer tem um maior peso.

Por outro lado, existem aqueles que se preocupam principalmente com o como o palhaço vai realizar seu número, não importando tanto o que ele vai fazer; assim, são mais valorizadas a lógica individual do clown e sua personalidade; esse modo de trabalhar é uma tendência a um trabalho mais pessoal. Podemos dizer que os clowns europeus seguem mais essa linha. Também existem as diferenças que aparecem em decorrência do tipo de espaço em que o palhaço trabalha: o circo, o teatro, a rua, o cinema, etc.

O clown ou palhaço tem suas raízes na baixa comédia grega e romana, com seus tipos característicos, e nas apresentações da commedia dell'arte. Nas festividades religiosas e nas apresentações populares da Antigüidade, havia uma alternância entre o solene e o grotesco. Esse é um fato comum a povos distintos: dos gregos até os aborígines da Nova Guiné, passando pelos europeus da Idade Média ou pelos lamaístas do Tibete.

Esta combinação do cômico e do trágico acentua a percepção de emoções contrapostas e é muito peculiar ao clown. Para Shklovski, o clown faz tudo seriamente. Ele é a encarnação do trágico na vida cotidiana; é o homem assumindo sua humanidade e sua fraqueza e, por isso, tornando-se cômico.

"Os palhaços sempre foram parte integrante do circo. Num espetáculo de perícia física, que produz na assistência uma reação mental - deslumbramento, espanto, admiração e apreensão - é preciso haver um complemento: um conceito mental que produza no público uma reação física, ou seja, o riso. O clown espanta o medo, esta é a sua função." (COXE, A. H. "No começo era o picadeiro")

Existem dois tipos clássicos de clowns: o branco e o augusto. O clown branco é a encarnação do patrão, o intelectual, a pessoa cerebral. Tradicionalmente, tem rosto branco, vestimenta de lantejoulas (herdada do Arlequim da commedia dell'arte), chapéu cônico e está sempre pronto a ludibriar seu parceiro em cena. Mais modernamente, ele se apresenta de smoking e gravatinha borboleta e é chamado de cabaretier. No Brasil, é conhecido por escada.

O augusto (no Brasil, tony ou tony-excêntrico é o bobo, o eterno perdedor, o ingênuo de boa-fé, o emocional. Ele está sempre sujeito ao domínio do branco, mas, geralmente, supera-o, fazendo triunfar a pureza sobre a malícia, o bem sobre o mal. Adoum afirma que a relação desses dois tipos de clowns acaba representando cabalmente a sociedade e o sistema, e isso provoca a identificação do público com o menos favorecido, o augusto."

Retirado do site grupotempo.com.br

sexta-feira, 30 de julho de 2010

O animal que ri. (Osho)

"A vida inteira é uma grande piada cósmica. Não é um fenômeno sério — leve-a a sério e você continuará a perder o essencial. Ela só é compreendida por meio do riso.

Você não observou que o homem é o único animal que ri? Aristóteles diz que o homem é o animal racional. Isso pode não ser verdade — porque as formigas são muito racionais e as abelhas são muito racionais. Na verdade, comparado às formigas, o homem parece quase irracional. E um computador é muito racional — comparado a um computador, o homem é muito irracional.

A minha definição do homem é que ele é o animal que ri. Nenhum computador ri, nenhuma formiga ri, nenhuma abelha ri. Caso venha a se deparar com um cachorro rindo, você ficará assustado! Ou se um búfalo de repente rir: você pode ter um ataque do coração.

É só o homem que pode rir; é o pico mais alto do crescimento. E é por meio do riso que você alcançará a Deus — porque é só por meio do mais alto, que está em você, que você pode alcançar o supremo. O riso tem de se tornar a ponte.

Ria no seu caminho para Deus. Eu não digo ore no seu caminho para Deus, eu digo ria no seu caminho para Deus! Se você puder rir, será capaz de amar. Se puder rir, será capaz de relaxar. O riso relaxa como nenhuma outra coisa."

Retirado do blog Palavras de Osho.

terça-feira, 27 de julho de 2010

O branco e o augusto. (Federico Fellini)

Federico Fellini
"Quando digo o clown, penso no augusto.  Com efeito, as duas figuras são o clown branco e o augusto.  O primeiro é a elegância, a graça, a harmonia, a inteligência, a lucidez, que se propõem de forma moralista, como as situações ideais, únicas, as divindades indiscutíveis.  Eis que em seguida surge o aspeto negativo da questão.  Pois dessa forma o clown branco se converte em Mãe, Pai, Professor, Artista, o Belo, em suma, no que se deve fazer.

Então o augusto, que devia sucumbir ao encanto dessas perfeições, se não fossem ostentadas com tanto rigor, se rebela.  Vê as lantejoulas cintilantes, mas a vaidade com que são apresentadas as torna inalcançáveis.  O augusto, que é a criança que faz sujeira em cima, se revolta ante tanta perfeição, se embebeda, rola no chão e na alma, numa rebeldia perpétua.

Essa é a luta entre o orgulhoso culto da razão, onde o estético é proposto de forma despótica, e o instinto, a liberdade do instinto.

O clown branco e o augusto são a professora e o menino, a mãe e o filho arteiro, e até se podia dizer que o anjo com a espada flamejante e o pecador.  São, em suma, duas atitudes psicológicas do homem, o impulso para cima e o impulso para baixo, divididos, separados.

O filme [I Clowns] termina com as duas figuras se encontrando e desaparecendo juntas.  Por que comove essa situação?  Porque as duas figuras encarnam um mito que está dentro de cada um de nós – a reconciliação dos opostos, a unidade do ser.

A dose de dor que existe na guerra contínua entre o clown branco e o augusto não se deve às músicas nem a nada parecido, mas ao fato de presenciarmos a algo que se liga à nossa própria incapacidade de conciliar as duas figuras.  Com efeito, quanto mais procures obrigar o augusto a tocar violino, mais dará soprinhos com o trombone.  O clown branco ainda pretenderá que o augusto seja elegante.  Mas quanto mais autoritária seja essa intenção, mais o outro se mostrará mal e desajeitado.

É o apólogo de uma educação que procura pôr a vida em termos ideais e abstratos.  Mas Lao Tsé dizia com acerto:  Quando produzas um pensamento (= clown branco), te ri dele (=clown augusto)."


Trecho do comentário que fez Fellini sobre seu filme I Clowns, feito para a televisão em 1970, presente no livro "Fellini por Fellini", L&PM Editores Ltda., Porto Alegre, 1974, págs. 1-7.  Tradução de Paulo Hecker Filho.